A escola de nossos filhos

Sou um pai muito preocupado. Minha filha de 16 anos estuda em um dos 3 melhores colégios de Porto Alegre e eu acho a escola um lixo”.

O ambiente entre professores, padres e alunos é ótimo. As famílias são boas, a infra-estrutura é adequada, os funcionários são educados, mas eu continuo achando a escola um lixo.

Como dizia aquela música, ...tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas realmente...eu acho a escola um lixo.

O motivo da baixa qualificação: FALTA DE COBRANÇA!!!

Fui aluno de uma escola também boa em Porto Alegre. Estudava como um condenado e só tirava dez. A escola de então, assim como a de agora, também não exigia muito. Mas meus pais exigiam. E participavam comigo, tomavam a lição, analisavam meus erros nos exercícios, corrigiam as provas etc. Foram eles os responsáveis pelo meu desenvolvimento, não foi a escola.

Também faço isto, junto com minha mulher. Mas continuo preocupado. Sabem por que? Porque odeio desperdício!!! E a falta de exigência das nossas escolas para com seus alunos, a falta de COBRANÇA, desperdiça tempo e talentos. Nossos filhos poderiam aprender muito, mas muito mais do que aprendem. E sem abdicar de suas infâncias e de suas adolescências. Eles têm muita energia. Podem se divertir a valer e podem estudar muito. A genialidade do e, estão lembrados?

Muito pouco tema de casa, conceitos confusos ao invés de notas numéricas, pouco tempo dos professores para interagir com os alunos e também pouca qualificação. Não esqueçam que os salários dos professores são baixos quando comparados com salários de profissionais de nível superior no mundo dos negócios e salários baixos são sinônimos de profissionais ruins.

Alguém escreveu por estes dias que os piores alunos do país transformam-se em professores!!!

Enquanto isto, crianças e jovens americanos, europeus e asiáticos vão estudando cada vez mais. E no mundo global dos negócios, eles serão os concorrentes de nossos filhos.

Ministrei palestra recentemente para pais, professores e dirigentes das melhores escolas de Porto Alegre. Os pais me entenderam, os professores me odiaram e os dirigentes acompanharam os professores. Falei com alguns dirigentes em particular. Suas práticas com os clientes e com suas empresas (escolas são empresas) muitas vezes estão 50 anos atrasadas.

Nossos filhos em breve estarão no mercado de trabalho (ou já estão). O que os espera? E nós, que vivemos no mundo dos negócios, que tipo de recursos humanos estaremos recebendo? Compramos Ferraris (softwares sofisticados, equipamentos de última geração, métodos de gestão modernos etc) e as entregamos para “carroceiros” pilotarem!!! Carroceiros muitas vezes sem culpa, mas ainda assim, carroceiros!!!

O que fazer? Os pais devem dobrar sua participação no ensino dos filhos. Participação pessoal, professores particulares, tudo o que seus recursos de tempo e financeiros permitirem. As empresas devem aprimorar seus processos de seleção e colocarem em prática programas internos robustos de desenvolvimento humano.

Nossos filhos e nosso país precisam deste esforço! Boa sorte a todos!

Um abraço!