A garantia precisa estar em algum lugar

14/12/2009

É possível obter bons resultados com uma equipe com perfil fraco ou mediano, desde que o gestor tenha clareza deste fato, assuma esta condição e esmere-se no treinamento interno, na padronização e na supervisão.

Uma das obrigações de qualquer gestor é garantir a qualidade do seu produto, seja este um bem ou um serviço. Antes de obter melhorias, o gestor deve, portanto, assegurar a rotina, isto é, precisa responsabilizar-se pela manutenção dos resultados. Já ouvi muitos gestores alegando que sua equipe é ruim, que este ou aquele funcionário não tem atitude ou que faltam outros recursos, como automação, tempo ou mais gente. Embora todos estes argumentos possam ser verdadeiros, o gestor deve entender que ele foi contratado para trabalhar com o menor custo possível e que isto atende pelo nome de PRODUTIVIDADE, que é a arte gerencial de obter cada vez mais resultados com cada vez menos recursos. Como, então, fazer o milagre da multiplicação? Mesmo que a resposta possa parecer difícil, ela existe e está mais perto do que parece.

A resposta é: a garantia da qualidade de um produto (atendimento às especificações de funcionalidade, custo, prazos de entrega e segurança) é obtida a partir de quatro itens:

1º) PERFIL DO EXECUTOR DA TAREFA;

2º) TREINAMENTO;

3º) PADRÃO ESCRITO (INSTRUÇÃO DE TRABALHO); e

4º) SUPERVISÃO DO TRABALHO (orientações on-the-job, auditorias, inspeção e pressão).

Ou você seleciona gente com alto perfil ou você precisa ter os outros três itens. Isto significa que se você tiver à disposição uma equipe ruim, formada por pessoas imaturas e/ou com baixo grau de escolaridade e/ou com pouca ou nenhuma experiência e com baixa remuneração, você precisa caprichar no treinamento, na padronização formal e especialmente na supervisão. É possível, portanto, obter bons resultados com uma equipe com perfil fraco ou mediano, desde que o gestor tenha clareza deste fato, assuma esta condição e esmere-se no treinamento interno, na padronização e na supervisão. O erro acontece quando os gestores, mesmo sabendo que a realidade salarial somente permitirá a contratação de empregados com perfil fraco, permanecem apenas queixando-se da empresa e não melhoram o treinamento, não implantam padrões escritos e relaxam na supervisão. Obviamente, se o processo de seleção recruta profissionais com baixa qualificação e não há treinamento nem padrões documentados além de supervisão fraca, os resultados são catastróficos e previsíveis. Se o perfil for melhorado, pode-se ter menos necessidade de treinamento, padrões e supervisão. Conseguir resultados muito bons com uma equipe fraca é, portanto, factível. O que não existe é conseguir bons resultados sem nenhum dos quatro itens mencionados anteriormente. Aí, já seria querer demais!

Erro comum dos gestores: desenvolvem a “cultura da reclamação”. Sonham com a contratação de pessoas mais qualificadas e reclamam o tempo inteiro, parecendo desconhecer que os outros três fatores (treinamento, padrões e supervisão) amenizam, e muito, o problema. Muitos gestores ficam tempo demais nas suas salas ou em reuniões improdutivas. Gestores precisam estar sempre no campo de batalha, treinando suas equipes, obrigando-as ao cumprimento dos padrões, educando-as constantemente e punindo quando necessário. Supervisão é “bafo na nuca”, é estar permanentemente vigiando equipes fracas.

Se você puder contratar pessoas mais qualificadas, que bom! Esta não é a realidade da maioria das empresas, incluindo as gigantes. Não há preço que suporte este custo. Você precisa parar de gerenciar como se tivesse os melhores empregados do mundo. Entenda sua realidade e implante treinamento, padrões e supervisão forte. Estes instrumentos transformam equipes fracas em equipes fortes. Não é o que você desejava?

Desenvolver gestores que entendam com profundidade o que está escrito neste texto é ação indispensável para a sobrevivência das empresas. Grandes generais transformam um grupo de recrutas medrosos em bons soldados com treinamento extremo, tolerância zero no cumprimento de padrões e forte controle. O resto é poesia.

Paulo Ricardo Mubarack

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