A luta sem armas

11/02/2008

Em 1983, comecei a trabalhar no Gerdau. Nesta época, a empresa fazia constantes viagens ao exterior para aprender a fazer aço com mais qualidade e produtividade e para aprender também como administrar melhor. Como muitos outros colegas, cheguei a receber mais de 200 horas por ano de treinamento, um número impressionante em qualquer empresa do mundo. O que a empresa buscava? Tecnologia avançada, nada mais do que isto. Ferramentas, métodos, técnicas, conceitos. Buscávamos aquilo que acreditávamos ser o melhor do mundo em cada área. Sabíamos que a dureza da luta contra os concorrentes não nos permitiria ir à guerra sem as melhores armas!



Em 1983, comecei a trabalhar no Gerdau. Nesta época, a empresa fazia constantes viagens ao exterior para aprender a fazer aço com mais qualidade e produtividade e para aprender também como administrar melhor. Como muitos outros colegas, cheguei a receber mais de 200 horas por ano de treinamento, um número impressionante em qualquer empresa do mundo. O que a empresa buscava? Tecnologia avançada, nada mais do que isto. Ferramentas, métodos, técnicas, conceitos. Buscávamos aquilo que acreditávamos ser o melhor do mundo em cada área. Sabíamos que a dureza da luta contra os concorrentes não nos permitiria ir à guerra sem as melhores armas!

Passados exatos 25 anos, ainda encontro – e como encontro! – empresas travando suas guerras sem armas. Utilizando parcas ferramentas ou nenhuma tecnologia em suas diversas atividades. Vejo áreas de vendas sem qualquer tecnologia que as ajude a melhorar a assertividade da previsão de vendas. Encontro áreas de RH que não utilizam nenhuma técnica mais sofisticada para selecionar pessoas. Usam apenas as surradas entrevistas e testes psicotécnicos ultrapassados. Processos de custos, gestão orçamentária, controladoria, logística, desenvolvimento de novos produtos e serviços, treinamento, marketing etc. sem nenhuma INTELIGÊNCIA.

Identifico alguns profissionais com muito pouco preparo técnico comandando, muitas vezes, áreas e processos vitais como os citados anteriormente. Pouco preparo, entre outras coisas, significa ignorância sobre a existência e o uso de tecnologia avançada para melhorar suas atividades e seus resultados.

A conseqüência é óbvia: custos altos e receita baixa. O que se poderia esperar diferente disto?

O porco-espinho que utilizo no logo da minha empresa significa SIMPLICIDADE. Portanto, não estou pregando que se utilizem ferramentas demasiadamente sofisticadas para solucionar problemas simples. Entretanto, não se deve esquecer que o último estágio da sabedoria é a simplicidade. Ser simples na solução de um problema não significa ser simplório, não significa trabalhar sem a melhor tecnologia. Até porque as ferramentas mais sofisticadas sempre conduzem a soluções simples. Alta tecnologia e simplicidade são conceitos que caminham muito próximos.

Técnicas para solucionar problemas como diagrama de causa e efeito (espinha de peixe), gráficos de Pareto, planilhas para coleta de dados estratificados, análise de dispersão, gráficos de controle estatístico, gráficos temporais, fluxogramas, FMEA, análise da capabilidade dos processos, matrizes de relação, matrizes de análise de risco, estudo de probabilidades, outras ferramentas estatísticas mais sofisticadas (técnicas de amostragem, análise de variância, regressão, planejamento de experimentos etc.), diagramas de árvore, HAZOP e tantas outras ferramentas ficam esquecidas freqüentemente nas organizações. Até mesmo o velho e insuperável 5 W – 2 H é rejeitado na elaboração de procedimentos e de planos de ação.

Controladoria, logística e marketing. Eis aí três conceitos – que se transformam em processos e áreas dentro das empresas – onde ainda há sérias dúvidas. Técnicas para avaliar a eficácia do treinamento, técnicas para avaliar desempenho, técnicas para treinar. E, além de tudo, não esqueçamos das técnicas típicas de cada negócio.

Diante do grave problema que é a ausência de tecnologia em vários processos, a saída é o estabelecimento de um vigoroso programa de treinamento. Treinamento DENSO, como observou um presidente com quem conversei recentemente sobre este assunto. Treinamento in-company, preferencialmente, talhado para cada tipo de empresa e de necessidade. Uma enorme vantagem que o mundo desenvolvido leva sobre as empresas brasileiras é o CONHECIMENTO. Trata-se do uso de tecnologia avançada em todas as áreas, de maneira absolutamente profissional. Afinal de contas, ir à luta sem armas é procedimento de amadores.

Como dizia uma empresária britânica, “se você acha cara a educação e o treinamento dos seus funcionários, tente calcular o CUSTO DA IGNORÂNCIA”.

Paulo Ricardo Mubarack