A simplicidade das palavras

11/06/2012

Falar bonito é falar de maneira simples sem ferir a lógica e a qualidade dos conceitos. Falar bonito é privilegiar a correção da comunicação. Falar bonito é atrair pessoas pela simplificação e não pela complexidade fútil e inútil. A gestão é uma área do conhecimento humano muito apropriada para o aparecimento do besteirol na forma de uma série de termos que em nada contribuem para o aprendizado das organizações. Simplificar é fundamental. Usar cinco ou seis palavras ao invés de quarenta ou cinquenta outras, protegendo a fidelidade do pensamento.

Ninguém suporta a complexidade desnecessária. Executivos, professores e consultores frequentemente exageram no palavreado complicado, mostrando-se confusos no pensamento e confundindo também muita gente ao seu redor.

Uma chuva de palavras como MISSÃO, NEGÓCIO, ESTRATÉGIAS, AÇÕES, MEDIDAS, FATORES CRÍTICOS DE SUCESSO, FATORES EMERGENCIAIS, AÇÕES ESTRUTURAIS CRÍTICAS, GOVERNANÇA CORPORATIVA, VALORES, CAUSAS, PROCESSOS, PROBLEMAS, FALHAS, FINS, MEIOS, RESULTADOS, PROJETOS, DIRETRIZES, METAS, OBJETIVOS, PROPOSTA DE VALOR, INTENÇÃO ESTRATÉGICA, VISÃO, KPIS, EFEITO, CADEIA DE VALOR, NÃO CONFORMIDADES, ANOMALIAS, PADRÕES, PROCEDIMENTOS, NORMAS, POLÍTICAS, PROGRAMAS, ESTRATÉGIA ORGANIZACIONAL etc. é falada e escrita diariamente sem qualquer compromisso com a simplicidade e com a comunicação. E olha que eu não citei os termos também inúteis em inglês, como dashboard, skills, management, sku, scorecard e tantos outros.

O problema com tamanho besteirol não é somente a comunicação, que por si só já seria suficiente para implorarmos pela simplificação do vocabulário, mas conceitos errados que são ensinados com evidentes prejuízos à produtividade. Por exemplo, estive em uma empresa de grande porte onde um setor usava o “método A3 da Toyota”, o outro usava o “método 8D da Ford”, havia uma turma que pregava o “six-sigma” e ainda existia a tribo da ISO 9001, que somente sabia falar em tratamento de não conformidades. Isto tudo em um espaço físico menor do que 200 metros quadrados! Parece que eles ignoravam que todos estes “métodos” eram apenas variações dispensáveis do velho e bom método científico do problema – causa – solução na forma de plano de ação. Há dois meses, ouvi um consultor falando que “demandamos aprimorar o business através de empatia distribuída e geração de identidade macro reflexiva” (sic). Não me perguntem o que significa esta frase, tenho até medo de pensar...!

Falando sério, o bacana é simplificar. Que tal se usarmos a lógica de Maslow e de Ishikawa e que propõe que dividamos tudo apenas em causa e efeito ou em metas x ações? Que maravilha abandonarmos 90% das palavras do início deste texto e usarmos apenas metas x ações. É lógico que a simplificação total é impossível, mas 90% é factível. Tente pensar apenas em processos, procedimentos e metas. Depois vêm as ações que melhoram processos e procedimentos com o objetivo de atingir as metas. Metas e ações, apenas isto. O objeto das metas e das ações é o processo, ou seja, o trabalho organizado. No processo estão as causas. Você tem o processo, ele tem metas e você atua sobre ele com ações. Nada mais do que isto. Quer uma divisão simplificada de todas aquelas palavras do início? Então, vamos lá:

METAS substituem fins, resultados, objetivos, visão (é a grande meta), KPI, efeitos e problemas.
AÇÕES substituem meios, missão, negócio, estratégias, medidas, projetos, procedimentos (são ações padronizadas), políticas, normas, padrões, programas, valores (são ações esperadas na forma de comportamentos), diretrizes, intenção estratégica, proposta de valor etc. PROCESSOS encerram as causas.
Creia, a vida ficará mais simples e correta, a comunicação melhorará e as pessoas não evitarão um tema vital chamado GESTÃO.