Apaga tudo

25/03/2011

O que é mais importante: PLANEJAR OU AGIR? A resposta é: pergunta boba, sem sentido. O mais importante é o conjunto! Precisamos PLANEJAR E AGIR. A ação, sem planejamento, pode chegar às raias da irresponsabilidade e nenhuma empresa merece correr este tipo de risco. É necessário PLANEJAR, COM DETALHES E NO PAPEL.

Um gerente me disse: “Mubarack, não temos o planejamento detalhado que você nos cobra, não temos planos de ação para executar nossos projetos como você apregoa, mas, afinal de contas, sempre sai.”. O termo “sempre sai” significa que as coisas acabam acontecendo, a produção é realizada, o cliente é atendido, a carga é liberada no porto, a exportação é feita, o treinamento é ministrado e assim por diante. Apesar da falta de planejamento, “sempre sai”, conforme disse o gerente incomodado pelas minhas exigências.

Duas mentiras! A primeira: NEM SEMPRE SAI. O “sempre” é mentiroso e fica por conta do gerente amedrontado em uma auditoria. Se verificarmos com detalhes a rotina da empresa, muitos projetos “não saíram”. As coisas nem sempre aconteceram. Houve frustrações e perda de dinheiro.

A segunda mentira: os projetos realmente às vezes são implantados apesar da falta de planejamento, mas COM QUE CUSTO? Inúmeros retrabalhos, desgastes pessoais, encrencas, brigas, correria na última hora, improvisação, riscos desnecessários, quem já não presenciou tudo isto na sua empresa? O projeto “saiu”, mas certamente não impunemente. A implantação consumiu seguramente muito mais recursos (dinheiro e tempo) do que o necessário. Foi um sumidouro de energia.

Portanto, não fique feliz se, apesar da bagunça oriunda da falta de planejamento, seu projeto foi implantado. O resultado final, mesmo atingindo a meta, NÃO DEVE e NÃO PODE apagar tudo o que de ruim aconteceu durante o processo. Repito que retrabalhos etc. NUNCA ACONTECEM IMPUNEMENTE. A empresa perdeu dinheiro. E pode ter perdido um cliente. E correu riscos sem nenhuma necessidade. Você pode praticar roleta russa várias vezes e se sair bem, mas o risco é altíssimo, desnecessário e vai aumentando, sem você perceber. Basta conhecer um pouco de teoria estatística para saber que o risco vai crescendo até que o desastre aconteça. E você esperando, com a boca escancarada, cheia de dentes, a morte chegar. Você é um TOLO.

Projetos, grandes ou pequenos, SEMPRE precisam de um plano de ação NO PAPEL. Na cabeça apenas não serve. Alguém me perguntou em uma auditoria se eu não achava mais importante a AÇÂO do que o PLANO DE AÇÃO. Eu respondi: o mais importante é o CONJUNTO. Preciso, obviamente, dos dois, do plano e da ação. Por que deveria escolher? Ou tenho planos ou tenho ação é praticar a mediocridade do OU. Quero viver a genialidade do E: quero ter planos e quero ter ação. Quero teoria E prática. Quero tudo. Os campeões sempre querem tudo e se preparam nos mínimos detalhes para isto. Curtem a preparação e não somente os resultados. Quem avalia tudo apenas pelos resultados é um irresponsável e um inconsequente.

Alguém me observou que Bernardinho manifesta pouca alegria quando o Brasil vence uma competição. Ele sorri e vibra muito pouco no final do campeonato, foi a frase que ouvi. Tentei explicar para esta pessoa que ele sorri pouco no final porque ele passou todo o tempo sorrindo. Ele curtiu toda a preparação. Ele ficou alegre nos treinos extenuantes e curtiu muito todo o processo. O resultado é apenas o detalhe final. Bernardinho se diverte durante o processo e quase não precisa do resultado para ficar alegre. Alguns cérebros mal dotados jamais entenderão este conceito, mas não é para eles que escrevo.

Sempre exija o plano de ação dos seus comandados. Não permita que alguém da sua equipe ou de uma área de apoio da empresa despache com você apenas conversando. Exija o papel. Exija o cronograma, exija as etapas do projeto bem detalhadas. Como alguém vai estimar custos e tempo sem o detalhe? Deus (ou o diabo) mora nos detalhes. Quem não tem paciência para detalhar e só quer “agir” é um amador e está enrolando você. Ele não coloca os detalhes porque não sabe. Alega falta de paciência, alega dinamismo, alega que “o importante é agir” e outras bobagens apenas para esconder sua incompetência técnica.

Outro ponto: como um gestor vai gerenciar o andamento de um projeto se não tem um cronograma físico e outro financeiro? Como? Na boa vontade? Apenas com trabalho árduo? Piada! Uma das diferenças entre profissionais e amadores é que os primeiros trabalham com organização e com método. Os outros, apenas trabalham e causam enormes prejuízos para suas empresas e para os tontos que resolveram acreditar neles.

Paulo Ricardo Mubarack