Apenas um pouco menos de medo

03/09/2010

Muitos gerentes adotam a postura de pouco manifestar suas opiniões, especialmente quando estas são contrárias às de seus chefes. Preferem ficar na zona confortável do silêncio que com tudo concorda. Por isto, a maioria nunca será promovida. As empresas continuarão a tomar decisões ruins, provocadas pela ausência quase total do debate honesto, produtivo e baseado em dados.

Por que altos executivos cometem erros grosseiros? Não é porque querem errar ou por safadeza. É porque não sabem o conceito. E por que não sabem o conceito? Porque, muitas vezes, os gestores de nível médio não falam. E por que não falam? Porque têm medo de represálias. Este medo é compreensível e somente irresponsáveis não o teriam, mas peço somente UM POUCO MENOS DE MEDO. O gerente precisa falar o que acha e contestar decisões com as quais não concorde, evidentemente mantendo a disciplina e o equilíbrio na contestação. Talvez apenas um pouquinho menos de medo resolva o problema.

Por outro lado, executivos (diretores, presidente, donos) muito arrogantes e com personalidades muito fortes amedrontam as pessoas. Liderar com perguntas é melhor do que ter todas as respostas. Se o “patrão” ou “o chefe” fala demais, os subordinados amedontram-se e recolhem-se às suas zonas de conforto.

Tenho convivido com mais de uma centena de altos executivos. Às vezes, é impressionante verificar o quão básicas são suas dúvidas sobre gestão e o quanto eles não sabem sobre conceitos básicos de administração. São grandes empreendedores, construíram empresas muito boas onde antes nada existia, mas têm fraquezas que podem colocar abaixo toda uma vida de sucesso. Os exemplos são inúmeros. Uma das causas é a SOLIDÃO DO PODER. Altos executivos conversam muito pouco com pessoas que realmente possam ajudá-los. Já vi diretores comportarem-se como colegiais tímidos e fracotes na frente do presidente. Já vi presidentes comportarem-se de forma medrosa na frente dos conselheiros. Conversas muito críticas de corredores não vão para as mesas de reunião e é lá que deveriam estar. A qualidade das decisões fica prejudicada, evidentemente.

Gerentes não sobem nas empresas porque não falam, não discordam, não se entregam ao debate forte e produtivo. No fundo, mesmo executivos arrogantes e temidos respeitam quem se manifesta com opiniões inteligentes e próprias embora divergentes das suas. Quem só concorda, é um “concordino” de poucos recursos de caráter, que ninguém respeita.

Discordar do chefe não é desrespeito nem indisciplina. Ao contrário, é obrigação de um profissional. Demonstrar opiniões contrárias, embasadas em dados irrefutáveis evidencia um profissional moderno e que está apto para crescer em qualquer empresa séria. Se a decisão do chefe for contrária, cabe ao profissional ter disciplina intelectual e cumprir à risca o que foi decidido. Apenas isto: expor-se, usar dados e ter um pouco menos de medo.

Paulo Ricardo Mubarack

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