Aproveitar a vida

22/08/2012

Aproveitar a vida tornou-se um bordão prá lá de batido, argumento principal dos vadios para acusar quem trabalha muito. Cada um deve aproveitar a vida do jeito que desejar, mas não podemos permitir que ensinem para nossos jovens que trabalhar e estudar duro também não é aproveitar a vida. O trabalho e o estudo podem ser tarefas extremamente prazerosas, tanto quanto férias Na Tailândia ou em Dubai.

Um homem herdou uma pequena fortuna de seus pais. Viveu sem se importar com o dinheiro e gastou tudo até os 70. Agora, perto dos 80, vive modestamente, com dificuldades. Ignorante (pouco estudou), diz que não está arrependido, pois “aproveitou a vida”.

Cada um, cada um, mas aproveitar a vida para mim é um pouco mais do que comer bem, beber muito e ter outros prazeres até os 70 e depois viver como um desvalido. Aproveitar a vida também é deixar um legado de trabalho e de luta para os filhos e netos. Quem me falou sobre este homem foi seu filho, em um tom deprimente.

Ou seja, não quero dar lições de moral, mas também não vou aceitar que digam que eu não aproveito a vida apenas porque trabalho muito. Ele aproveitou a vida (isto significa, usou a vida) para alguns prazeres que julgava importantes. Eu também aproveito a vida para deixar um legado de trabalho, de estudo e de muita luta. No mínimo, nós dois aproveitamos a vida, cada um para uma finalidade. A escolha é de cada um.

Bordões como este de “aproveitar a vida” são criados, repetidos e tornam-se verdades, embora não resistam a cinco minutos de análise. A vida é muito mais do que acordar tarde, apanhar sol ou viajar em férias. Na verdade, a vida boa é aquela que planejamos para nós. Trabalhar e estudar podem ser tarefas muita divertidas e que também deixem as pessoas tão felizes quanto uma taça de vinho em um restaurante bacanérrimo em Dubai ou Paris.

Portanto, não tenha vergonha de gostar do trabalho e do estudo e não permita que idiotas de plantão ditem o que é ou o que não é aproveitar a vida.
Paulo Ricardo Mubarack