Aristocracia

08/08/2012

A Aristocracia vive. Já matou a maioria das monarquias na história, mas continua viva dentro das empresas, caracterizando-se pelo estabelecimento de regras não escritas, de padrões não formalizados e pela formação de grupos que têm apenas um objetivo: sobreviver da melhor forma possível nas organizações, não importando o quanto contribuam para seu desenvolvimento. A aristocracia detesta envolvimento com o chão da fábrica e com o cliente e ignora a verdade contida na prática saudável da “sola de sapato”. Isola-se, discrimina e cria um perigoso universo paralelo, vivendo a véspera da ruína das companhias onde se instala.

A maioria das monarquias não resistiu ao tempo porque se transformou em monarquias excessivamente aristocráticas. Neste caso, aristocracia significa a burocracia preguiçosa que afasta os comandantes da vida real. As decisões acontecem de forma lenta, sem senso de urgência, com base nos rigores da papelada e nunca fundamentadas na sola de sapato.

A dura realidade dos fatos não é encarada e os dirigentes permanecem estáticos em um mundo irreal, algo como um universo paralelo, com regras próprias, mas descolado da realidade.

Não é à toa que a rainha francesa não entendia o que motivava seu povo a estourar a porta da Bastilha e que estava prestes a perder a coroa e a cabeça. Quando um ministro disse: "Majestade, eles estão invadindo o palácio porque não têm pão", ela respondeu algo do tipo: "Se eles não têm pão, por que não comem brioches?".

Por mais ridícula que seja esta velha história, este ridículo acontece atualmente quando não entendemos por que as vendas e as margens caem, por que o concorrente cresce ou por que não conseguimos reduzir nossas falhas internas e o caixa vai sendo brutalmente consumido.

A causa é a aristocracia. Estabelecem-se algumas regras de convivência e de sobrevivência na empresa e a dura realidade dos fatos vai sendo cada vez mais ignorada. Os melhores empregados abandonam o jogo, pois quem é realmente bom não se submete a este tipo de regra e os ruins são incapazes de ser detidos. E, por favor, acredite, NADA VEM DE GRAÇA, nem mesmo um mero "sim, senhor!".

A aristocracia despreza soluções simples, o chão da fábrica e a sola de sapato. Poucos falam com poucos, a comunicação morre e o poder encastela-se dentro de salas de reunião e atrás das telas dos computadores.
Um presidente precisa operar a empresa, conhecendo obstinadamente detalhes da operação e do cliente, um gerente de produção deve viver dentro da fábrica, o gerente de recursos humanos deve passar pelo menos 70 % do seu tempo circulando por todos os cantos da empresa, conversando com todos e observando o trabalho, o gerente de vendas deve estar na rua (novamente a sola de sapato), o pessoal do marketing deve estar também na rua e não fazendo apenas mil planilhas cruzando o PIB versus não sei o quê e assim por diante.

Impeça o surgimento da aristocracia, das castas e dos grupelhos na sua empresa, onde quer que eles apareçam. Mantenha o sentimento de um só grupo e elimine qualquer sinal de diferenciação, como salas, uniformes e banheiros diferenciados. Estimule a simplicidade de forma e de conteúdo. Grife nunca combinou com lucro e sola de sapato.