As empresas familiares

05/09/2011

Empresas familiares frequentemente são muito mais profissionais do que se pensa, mas...duram não mais do que duas gerações, na maioria dos casos. Por quê? Porque as famílias se perdem no lado emocional e político do negócio e esquecem da lucidez. Nem todos os membros da família podem ser aptos para o negócio, estilo de vida cada vez mais caro e...Leia este texto, vai ajudá-lo a a entender melhor como evitar que verdadeiros diamantes virem pó!

Não separo as empresas em empresas familiares e empresas profissionais, embora entenda estas expressões e as diferenças que elas tentam expressar. São, porém, adjetivações inadequadas, pois muitas famílias conduzem suas organizações de forma extremamente profissional. Por acaso um herdeiro não pode ser um profissional ou o próprio fundador do negócio também não pode sê-lo? Conheço vários executivos “profissionais” que não chegam aos pés de pais, filhos e netos que tomam conta de suas próprias companhias. Mas, e sempre há um “mas”, algumas famílias realmente devastam seu próprio patrimônio cometendo alguns erros grosseiros e plenamente evitáveis. Raras empresas em todo o mundo passam da segunda geração e o dito “Pai rico, filho nobre e neto pobre” torna-se verídico com frequência.
Pesquisas recentes nos USA mostram que, a cada 25 anos, 80 % do dinheiro americano muda de mãos. Vejamos algumas falhas dos clãs familiares:

1. A família adota um estilo de vida cada vez mais caro. As despesas familiares crescem mais do que a empresa.
2. A família aumenta em número mais do que a empresa cresce. Cada vez mais “macacos” ocupam os galhos da mesma árvore. Famílias relutam em aceitar o fato de que talvez a menor parte dos seus integrantes tenha vocação para trabalhar na companhia. Incompetentes ocupam postos estratégicos e o resultado é previsível.
3. Familiares misturam seus gastos e hábitos com a vida da empresa. Empregados da companhia (motoristas, secretárias etc.) passam a fazer trabalhos para a vida privada da família.
4. Filhos e netos não são estimulados a criar seus próprios negócios quando fica evidente que eles não têm aptidão para trabalhar com sucesso na empresa que seus pais criaram.
5. A família torna-se dependente financeiramente do pró-labore da empresa. As retiradas familiares começam a crescer em uma taxa maior do que a do crescimento dos lucros da empresa. Incompetentes não se afastam da organização porque dependem do pró-labore para viver.
6. A família não diversifica seus negócios. Todos querem tirar leite da mesma vaca e ela, a vaca, com frequência “vai pro brejo”.
7. As famílias não se mantém unidas ao longo do tempo. Dispensam rituais e a unidade dos grupos familiares vai desaparecendo e, com ela, a empresa...
8. Alguns membros tornam-se arrogantes e distantes da realidade. Como são adulados, especialmente filhos e netos dos fundadores, desde pequenos por empregados, babás e toda sorte de bajuladores, tornam-se arrogantes e julgam-se superiores somente pelo fato de ostentarem um sobrenome igual ao nome da companhia. Ficam presas fáceis de puxa-sacos que sabem exatamente o que a arrogância adora ouvir.
9. Filhos e netos não têm coaching de gente competente, estudam pouco, fazem cursos universitários muito fáceis onde nada aprendem (como administração ou economia) e nunca trabalham em outros ambientes onde, finalmente, poderiam ser tratados como o que realmente são, seres humanos normais. Perdem a oportunidade de aprender.

O resultado é a decadência e o desaparecimento, após uma ou duas gerações. Manter empresas familiares é tarefa árdua porque ali não funcionam exatamente as leis de mercado. Diagnósticos lúcidos são ocultos por questões políticas e emocionais e o mundo não perdoa estes erros.

Fazer um plano de ação para evitar cada um dos nove equívocos deste texto é a saída, contratando consultorias especializadas neste tipo de assunto. Um pré-requisito para a consultoria: ser corajosa e ter zero de política em suas veias. Já vi consultorias simularem um processo de escolha do novo presidente onde vários executivos participaram, além do filho do fundador e, quase que invariavelmente, o escolhido foi o herdeiro. Este tipo de assessoria logicamente deve ser descartado. Nunca se construiu nada durável com política e com a mentira.