Burrice generalizada

29/06/2009

Prezados clientes e leitores, é impressionante como trabalhos que não servem para nada são implantados e mantidos durante décadas nas empresas. É o que classifico como BURRICE GENERALIZADA.

É impressionante como trabalhos que não servem para nada são implantados e mantidos durante décadas nas empresas. É o que classifico como BURRICE GENERALIZADA. Um dos maiores exemplos é a PADRONIZAÇÃO equivocada feita por muitas organizações, orientada por maus consultores, mantida por áreas da qualidade (ou denominações equivalentes) despreparadas e validada por interesseiras certificadoras em ISO 9001 ou em outras normas.

Quando observo operadores em uma fábrica, por exemplo, vejo claramente como eles não têm tempo para ficar lendo seja o que for. Desenhos, tabelas numéricas e pequenos checklists são os únicos documentos que ajudam na hora do trabalho. Isto vale também para profissionais do escritório, que trabalham basicamente com computadores. Procedimentos com glossários, referências, lista de registros e muitas definições para nada servem. O que realmente importa é TREINAMENTO. Profissionais precisam estar muito treinados. A maioria dos padrões que existe nas empresas não serve nem para quem já sabe nem para quem não sabe. Para quem já sabe, são desnecessários e para quem não sabe, não possuem o nível suficiente de detalhe para treinamento. Auditorias (especialmente as da ISO 9001, 14001, 18001) tornam-se brincadeiras de gato e rato com os auditores. “Esconde isto”, “não fala aquilo”, “mostra apena este documento para o auditor”, são frases sombrias que ouço com muita freqüência antes de auditorias e que para nada contribuem com os resultados. Um grupo de profissionais e empresários parece ter uma tolerância e um despreparo infindável para suportar padrões que não ajudam, só atrapalham. A principal causa deste despropósito está nos bancos escolares: somos “treinados” para não entender, para não questionar, para não analisar criticamente o uso de métodos. Nas empresas apenas repetimos o que aprendemos na escola. Quando pergunto em algumas empresas como as pessoas são treinadas, muitos profissionais se entreolham e riem. “Mubarack, aqui não há treinamento. As pessoas são admitidas e começam a trabalhar, apenas isto”. Depois, um consultor idiota e uma área da qualidade sem preparo criam uma montanha de documentação inútil. No final do trabalho, um grupo de auditores vem e finge que audita. Vistas grossas para as não conformidades é comum. Como conclusão, a empresa recebe um certificado ISO e todos abrem um espumante, soltam foguetes, colocam um selo no site e mais nada. Foco em resultados, nem pensar! O incrível é que esta situação se repete há décadas! BURRICE GENERALIZADA, pior do que infecção!

Alguém pode estar questionando se padrões são, então, ferramentas ruins e se certificar uma empresa é desnecessário. A resposta é NÃO. Padrões são muito importantes, o processo de certificação na ISO ou em outras normas é saudável, mas tudo precisa ser feito com pensamento empresarial. Muito treinamento, muito material de treinamento, extremamente detalhado, padrões leves (desenhos, checklists etc.) e muita auditoria de verdade são extremamente importantes para qualquer organização. Sempre recomendo às áreas de RH que esqueçam tantas frases de efeito – capital intelectual, gestão do conhecimento, mentoring, coach etc. – e que se foquem apenas em TREINAMENTO. Raramente encontro bons planos de treinamento, desenvolvidos a partir dos perfis de cargo e das avaliações de desempenho. Encontro muitas iniciativas inacabadas e soltas, que sangram o orçamento e que para nada contribuem. Se o foco de RH fosse apenas TREINAMENTO (e tudo que dele decorre), a vida nas empresas seria mais fácil.


Paulo Ricardo Mubarack

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