Dar aumento sob pressão

29/11/2011

Quando alguém muito bom pede demissão, é melhor deixar ir embora. Ninguém pode ser maior ou intimidar uma empresa. Entretanto, a questão principal não é esta. A questão essencial é por que o sistema de recursos humanos da organização deixou as coisas chegarem neste ponto, onde “o cristal vai rachar”. Previna sua empresa contra esta situação constrangedora.

Vejo com frequência bons funcionários pedirem aumento na base do “ou me aumenta ou vou embora”. Às vezes, o tom não é exatamente este, existe apenas o pedido de demissão e o oferecimento da diretoria que “cobre a proposta”.
A regra do jogo sempre foi e sempre será a negociação, mas isto, quando acontece, mostra certas fragilidades da empresa e que não podem ser ignoradas apenas porque o demissionário acabou aceitando o aumento de salário e ficou!

1º) Normalmente o demissionário conta para outros funcionários e pode se instalar um clima do tipo “pressiona que a diretoria aceita”. Pode acontecer um efeito cascata, o que seria lamentável para o caixa da empresa;
2º) A tabela salarial da empresa, com suas faixas e critérios, vai “para o saco”, ficando completamente desorganizada por conta destas “exceções”;
3º) O acontecimento mostra que não existe um sistema preventivo de recursos humanos. Quando alguém considerado bom ou imprescindível chega ao ponto de pedir demissão, todo o sistema de recursos humanos falhou, desde o coaching até a avaliação de desempenho;
4º) O cristal está definitivamente rachado. Nunca o relacionamento será o mesmo depois que alguém pediu demissão, mesmo voltando atrás. Ambas as partes, especialmente o patrão, serão mais desconfiadas uma com a outra.

Obviamente, minha orientação é preventiva. Coaching e avaliação de desempenho são processos que a maioria das empresas, de todos os portes, não tem ou praticam precariamente.
Quando a situação chega ao extremo do pedido de demissão, duas medidas devem ser tomadas:

1 – Se realmente a empresa precisa do funcionário, negociar é a saída. Somente com os imprescindíveis, é lógico. Se o cara for apenas um bom cara, deixe o profissional ir embora.
2 – Marque um X nas costas do demissionário e quando puder, livre-se dele. Quem fez a primeira vez, fará novamente.
3 – Reúna o gestor de RH, os outros membros da diretoria e a chefia imediata do demissionário e analise profundamente os motivos da incômoda situação. Tome medidas para prevenir a repetição, independentemente do desfecho da situação atual.
Uma empresa não pode ser refém de ninguém, uma empresa não pode ser intimidada por quem quer que seja.