Detalhes

23/04/2012

A raridade de um profissional passa por vários fatores e um deles é o uso dos DETALHES. Análises de falhas, apresentação de projetos, escrita de procedimentos e treinamentos precisam ser extremamente detalhados. Para detalhar, é necessário pesquisar, estudar e se dedicar. Com o trabalho normal, não se chega aos detalhes. Sem detalhes, a tomada de decisão pode ser enormemente prejudicada e uma empresa pode ser gravemente ferida. Além da reputação do profissional SUPERFICIAL.

Uma das canções mais bonitas do rei Roberto Carlos é a minha inspiração para este texto. E tenha calma antes de me acusar de nostalgia, pois não se trata de saudosismo ou exagero, ao contrário, trata-se apenas de extrema necessidade. Projetos, planos de ação, análise de causas de problemas e de falhas, análise de investimentos, tudo isto precisa de muitos detalhes. Se eles não existirem, a decisão poderá ser completamente equivocada e ferir gravemente uma empresa.

O treinamento em uma empresa precisa ser extremamente detalhado, por exemplo. A previsão de vendas também precisa ser muito detalhada. A análise da causa de uma falha precisa verificar as entranhas de um processo. Um projeto precisa de muitas informações e muitos cálculos. Se não houver certeza em relação aos números ou às informações, deve-se estimar a margem de erro. Você informa para sua diretoria que tal projeto vai custar x milhões de reais ou vai demorar y meses. Informe também a margem de erro. Por exemplo, a instalação da nova laminadora vai custar 30 milhões com 10% de margem para mais e para menos. A instalação vai demorar 16 meses, podendo atrasar até 6 meses. Se não houver dados nem para estas informações com margens relativamente grandes de erro, mergulhe mais ainda no projeto, vasculhe mais, o nível de detalhe é insuficiente.

Muitas vezes meus clientes me perguntam qual é o nível de detalhes adequado. A resposta é exatamente esta: o nível deve proporcionar margem de tolerância até 10 ou 20%. Já é um exagero, mas é melhor do que surpresas sem qualquer controle. O padrão precisa ter detalhes, o projeto precisa também e você, gestor, deve decorar detalhes do seu trabalho, você PRECISA ESTUDAR SEU TRABALHO. O SUPERFICIAL MATA UMA EMPRESA. E o superficial mata um profissional. Ninguém nos paga para sermos superficiais ou, até mesmo, medianamente profundos. Deming, um dos mais brilhantes estudiosos de gestão no século XX, afirmava que “não há substituto para o conhecimento” e que “o conhecimento ou é profundo ou não existe”.

Algo raro no mercado: gestores que leiam continuamente, que estudem seus processos, que perguntem sem parar. Quem sempre dominar os detalhes é um profissional RARO.