Diga apenas a verdade

23/01/2012

Dizer a verdade economiza tempo e dinheiro, pois ajuda a resolver um problema com muita rapidez. Mentir, exagerar ou basear-se em meras opiniões atrasa todo o processo de tratamento de falhas. Implantar rigorosa seleção de pessoal e auditoria interna e externa contribui para aprimorar a qualidade das decisões em uma companhia.

A primeira regra para resolver um problema é esta: diga apenas a verdade. Tudo seria muito simples se esta regra simples fosse seguida. Como as pessoas mentem, exageram ou transformam meras opiniões em fatos quase de forma inconsciente, a solução dos problemas torna-se mais difícil. Usar fatos e dados, com evidências, isto é, com provas, é fator essencial para que uma falha seja resolvida rapidamente. Tudo o mais (mentiras, exageros e opiniões no lugar dos fatos) retarda a solução e gera o óbvio: desperdício de tempo e de dinheiro.
Duas providências para que uma equipe siga apenas a regra da verdade: a primeira é checar no processo de seleção se a criatura que se pretende contratar possui tendências para a mentira ou para o exagero. A segunda providência é instituir de forma vigorosa o processo de auditoria interna e externa.
Gestão é uma ciência e ciência trabalha com fatos e com dados, com provas e evidências, e nada mais. Instintos, percepções e faro somente servem para desempatar os jogos onde os fatos ainda não foram suficientes.
Por exemplo, certa vez assumi a vice-presidência de uma instituição privada sem fins lucrativos, local próprio para o desperdício e para a fraude. Em uma semana, não tinha mais dúvidas que três dos cinco gerentes subordinados a mim eram desonestos. Havia evidências, fatos, mas insuficiência de provas para demissão por justa causa. As evidências, entretanto, deram-se segurança para demiti-los rapidamente. Conversei sobre o assunto com os três gestores que me antecederam antes de proceder as demissões e todos afirmaram que sabiam da desonestidade dos subordinados, mas que “não havia provas para demissão por justa causa”. Desculpa esfarrapada de covardes que não quiseram se incomodar. Havia evidências e fatos claros comprovando procedimentos fraudulentos, o que mais eu poderia esperar? Bastou demiti-los para houvesse uma chuva de denúncias de atuais e de ex-empregados da instituição. O jurídico pode, então, agir. Muitos me perguntaram como eu havia “percebido” que os caras eram desonestos. Eu respondi que não tinha qualquer poder extra-sensorial e que bastou prestar atenção nos fatos, entrar em detalhes, conversar, investigar com paciência e com determinação.
No dia em que fui demiti-los, um funcionário da instituição ainda me disse: “e se for uma injustiça?”. Eu respondi que primeiro devo proteger o coletivo e que as evidências e alguns fatos eram muito fortes, embora ainda me impedissem da justa causa, mas já permitindo a demissão.
Seleção rigorosa e auditoria, eis a dupla que pode proteger uma empresa contra a mentira e contra o exagero.