Dona Vilcemara

30/11/2009

Entender que o comportamento de um funcionário no trabalho não pode guardar qualquer relação com o salário que recebe e que o nível de esforço e dedicação deve estar sempre no máximo, não importando o que se ganha no final do mês, é básico para qualquer profissional. Muitos se perdem nas reclamações e no corpo mole, piorando ainda mais suas situações.

Na Casa do Pão de Queijo, no aeroporto Afonso Pensa, em Curitiba, trabalha Dona Vilcemara. Já a observei várias vezes em ação. Fora do balcão, ela atende os clientes com extrema presteza e simpatia. Caminha no espaço entre as mesas e o balcão com a imponência de um grande zagueiro na sua área, absolutamente dona da situação. Sua postura diz: “esta é minha casa e vocês são muito bem-vindos”. Olha para os clientes, busca o serviço, está atenta aos detalhes. Após ser mais uma vez atendido com a delicadeza de sempre, perguntei seu nome e a ela dedico este texto. A ela e a todas as pessoas que, independentemente do que fazem e do que ganham, são felizes e fazem com prazer a sua atividade. Não sei se alguém na Casa do Pão de Queijo sabe o talento que tem em casa. Se eu tivesse alguém assim trabalhando comigo, filmaria sua postura, ouviria suas palavras e mostraria para todos os outros funcionários no treinamento. Para RH, eu diria: “quero que este seja o nosso padrão, quero somente pessoas assim”. Dona Vilcemara deveria ter uma remuneração e um reconhecimento diferenciados. Que Deus a abençoe!

E que Deus amaldiçoe os profissionais, de presidentes de empresa a motoboys, que têm o nariz em pé e um arzinho arrogante, cara fechada e cérebro pequeno, alguns ganhando dezenas de vezes o que Dona Vilcemara ganha, alguns analfabetos e outros doutores, que possuem em comum o desgosto pelo trabalho. Estes eu gosto de enxergar trabalhando nos concorrentes dos meus clientes. Lá é o lugar deles! É gente que não entende que o comportamento de um profissional no trabalho não pode guardar qualquer relação com o salário que recebe. O nível de esforço e dedicação deve estar sempre no máximo, não importando o que se ganha no final do mês. Não entendeu ou não concorda? Pare imediatamente de ler este texto. Não escrevo para pessoas que não compreendem este fundamento.

Quem é bom já nasce pronto, não adianta inventar, por isto sempre afirmo e reafirmo que o processo de recrutamento e seleção é o mais importante da empresa. Os executivos e o gestor de RH deveriam estar incessantemente procurando por gente como a dona Vilcemara. Este perfil de profissional requer menos treinamento e menos controle por parte da empresa. Suga muito menos energia do que outros profissionais, ou seja, a sua relação custo x benefício é ótima.

Alguns me dizem que é difícil achar gente assim em quantidade. Remunere diferenciadamente, reconheça, treine bastante e verá que aparecerão pessoas boas em profusão. Você, gestor de RH ou executivo, invista alguns minutos de cada dia para apenas observar seus funcionários trabalhando e descobrirá diamantes escondidos. Ah, não tem tempo! Há coisas mais importantes para fazer etc. e tal. Desculpas esfarrapadas de quem nunca entendeu que a principal função de um líder é identificar e promover talentos. Liderar é ajudar a libertar nas pessoas o potencial de liderança delas, de modo que elas próprias se conduzam. Para os ruins, supervisão forte. Para os bons, liberdade. Sempre foi assim e não há indícios de que a natureza tenha mudado.

Paulo Ricardo Mubarack

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