Estamos esquecendo de ensinar a coragem

30/04/2012

Você prefere o equilíbrio ou o desequilíbrio? Obviamente, todos responderemos que escolhemos o equilíbrio. Porém, em momentos decisivos, o melhor equilíbrio parece ser um certo desequilíbrio, parece ser aquela situação onde precisamos de CORAGEM para correr riscos, para denunciar, para não sermos tão polidos e para sermos genuinamente honestos com a honra e com a verdade. Lembre-se: muitas tragédias seriam evitadas, muitas quebradeiras não seriam permitidas e muitas mortes e prejuízos seriam poupados se tivéssemos mais corajosos entre nós. Não estigmatizar os corajosos e eliminar os covardes parece ser uma boa fórmula para sociedades e empresas mais produtivas.

Quando o capitão Francesco Schettino abandonou o Costa Concordia, ele maculou aquela imagem romântica e épica que todos temos do capitão herói, que salva vidas e é o último a abandonar o navio. Mostrou-se um covarde e acomodado, além da imperícia técnica. Mostrou-se como legítimo membro do lixo da humanidade. Ao contrário, o comandante Falco, que ordenou com veemência o retorno do capitão canalha para o comando do navio e do resgate, foi transformado em herói nacional na Itália. Por que, se ele apenas agiu conforme as responsabilidades do seu cargo? A resposta parece ser simples: nos atos e nas palavras de Falco havia algo a mais do que apenas cumprimento do dever, havia alma, havia emoção genuína pela tragédia, havia CORAGEM, algo que urgentemente precisamos voltar a ensinar para nossos filhos.

Falco usou palavrões de indignação contra o capitão covarde, chorou de raiva ao saber do número de vítimas e foi também irônico com Schettino quando disse “Está escuro e você quer voltar para casa?”. Ele também denunciou uma mentira de Schettino onde a maioria teria mantido cínico silêncio profissional.
Falco foi comprometido, foi homem e não teve medo de ser chamado de mal-educado ou de desequilibrado. Cuidado com quem sempre pede equilíbrio, pois normalmente este tipo de gente está pedindo conivência e covardia.
Há muito discurso sobre gestão, crescimento, sustentabilidade, meio ambiente, mas parece que estamos esquecendo de ensinar para nossos filhos a CORAGEM, a capacidade de indignação e a valorização da honra.
Falco defendeu muito mais do que o simples cumprimento de padrões. Ele defendeu a condição de ser humano. Falco falou muito mais do que simplesmente um palavrão ou uma ironia. Ele falou com o cérebro e com o coração. Falco chorou as lágrimas que lamentam todas as tragédias que poderiam ser evitadas.
Pessoalmente sempre prefiro quem não é tão polido nas palavras e nos salamaleques, mas é honesto. Acho que você que me lê, também! Quem é Schettino e quem é Falco na sua empresa?