Filme de terror

28/02/2011

Ninguém enxerga e sente uma empresa como os próprios donos. Mesmo os mais comprometidos funcionários não conseguem visualizar uma organização da mesma forma que os donos, especialmente aqueles que fundaram ou são descendentes dos fundadores. É similar a enxergar e sentir um filho. Sem gestão, os donos olham dinheiro sendo desperdiçado em cada canto como um FILME DE TERROR.

Imaginem um empresário caminhando pela sua empresa. Abre uma porta e vê a turma de TI, um grupo de pessoas que fala uma linguagem estranha, que mexe com o virtual (nada pior para a cabeça de um executivo do que o virtual) e que, vez ou outra, pede dinheiro para comprar mais um servidor, um link ou um software qualquer! Depois, o empresário olha para outra sala e vê a equipe do financeiro, todos fazendo operações com o dinheiro dele. Olha a contabilidade e se pergunta se todos os lançamentos, impostos e taxas estão sendo pagos adequadamente.

Continua a caminhada e entra no RH. Um grupo novo está sendo selecionado. Todos são novas bocas para alimentar religiosamente no final de cada mês. Muitas pessoas e suas famílias dependem dele. Entra na produção e vê um homem da manutenção dando porrada com o alicate naquela máquina que custou 300 mil dólares. Passa pelo comercial e se questiona sobre como aqueles funcionários estarão tratando o bem mais precioso de sua empresa: o cliente! Vai na expedição e vê um caminhoneiro com dois ajudantes brutamontes jogando seus produtos para cima do caminhão. Em compras, chega a se arrepiar pensando nas negociações que podem estar sendo feitas. Na volta para sua sala, a secretária anuncia que um fiscal da receita e o presidente do sindicato lhe esperam para duas reuniões.

FILME DE TERROR! Todos, exatamente todos, mexendo de uma forma ou outra com o dinheiro dele. Só quem é dono do dinheiro pode entender o que estou escrevendo. A angústia de ter grande parte do patrimônio juntado com tanto sacrifício nas mãos alheias. E, má notícia, não há outro jeito. Não há como ganhar dinheiro fazendo tudo sozinho.

Qual é o remédio, o bálsamo que vai amenizar tantas dores e espantar tantos fantasmas? A auditoria, é claro. Mas como fazer auditoria em um sistema pouco documentado, com falhas nos controles, com softwares inadequados e sem bons indicadores? Como fazer auditoria sem planos de ação escritos e definidos em cronogramas? Como auditar metas que sequer têm histórico ou memória de cálculo? Como auditar gestores despreparados?

Sem o sistema integrado de gestão, o TERROR continua.