Não sei

27/02/2012

Dizer “não sei” é uma atitude rara. A maioria dos profissionais prefere respostas vazias do que o consistente “não sei”. Quem diz, de forma consciente e honesta, que não sabe algo, ganha credibilidade e economiza tempo de todo o mundo. Quem responde qualquer coisa, é superficial e não merece crédito. São cascas ocas, cérebros sem lógica, gestores de plástico, oportunistas que jogam fora suas carreiras e o dinheiro das empresas.

É digna de nota a dificuldade que a maioria das pessoas tem para reconhecer que não conhece um determinado assunto. Raras vezes vi um profissional usar em uma reunião ou até mesmo em ocasiões mais informais a expressão “não sei”. Na realidade, qualquer um de nós sabe muito pouco sobre o que quer que seja. Somos chamados de especialistas em um assunto específico quando sabemos mais do que os outros e não por que sabemos tudo sobre este assunto. Aliás, o verdadeiro especialista, como sabe mais do que os outros, enxerga um universo muito maior do que aqueles que sabem menos e por isto tem a dúvida como primeira opção e não todas as respostas.

Quem não tem dúvidas, está perdido. O mundo só evoluiu pela qualidade das perguntas que gente muito inteligente soube fazer e não pelas respostas que foram dadas de qualquer jeito. Jack Welch e Sam Walton eram famosos pela capacidade de perguntar incessantemente. Leia o texto a seguir, atribuído a Antônio Ermírio de Moraes:

“Quando um novato tem a capacidade de responder para mim "não sei"... sei que há uma boa chance que ele tenha uma carreira de sucesso e acabe chegando à diretoria da empresa.
De cada 100 pessoas, só uma tem a coragem de responder "não sei" quando não sabe. Os outros 99 sempre acham que precisam ter uma resposta pronta, seja ela qual for, para qualquer situação. "Não sei" é sempre uma resposta que economiza o tempo de todo mundo, e pré-dispõe os envolvidos a conseguir dados mais concretos antes de tomar uma decisão.
Parece simples, mas responder "não sei" é uma das coisas mais difíceis de aprender na vida corporativa. Por quê? Eu sinceramente não sei”.

Tenho muito medo de quem tem todas as respostas. Certa vez, ao dar uma aula de administração da produção em uma escola de negócios, um aluno me perguntou algo que envolvia uma sigla que eu não conhecia. Quando eu disse a ele que não sabia o que significava a tal sigla, ele e dois colegas próximos se entreolharam e sorriram, como se dissessem: “Poxa, o professor não sabe!”. Foi uma excelente oportunidade para que eu ensinasse para a turma o real significado do “não sei”. Somente profissionais conscientes e honestos sabem dizer não sei. Não importa a ocasião e não interessa quem esteja na frente deles. Honestidade e lógica não têm hora nem local para serem praticadas. Quatro semestres mais tarde, fui escolhido como paraninfo daquela turma e, segundo o comitê de formatura, a causa principal foi o famoso “não sei” daquela aula. Bacana!O “não sei” é honesto, higiênico e gerador de credibilidade.

Ah, e depois de dizer “não sei”, saia atrás da resposta ouvindo gente que realmente sabe e buscando dados e evidências para a obtenção da resposta. Obviamente, o “não sei” é necessário, mas não suficiente. Quando não sabemos algo, precisamos levantar dados, estudar, praticar o método científico e, finalmente, chegar à resposta.