O concreto e o abstrato

11/10/2012

O mundo abstrato é o paraíso dos incompetentes. Trata-se de um universo paralelo, onde eles se ocultam e escondem sua inapetência para os cargos que ocupam. Sola de sapato, suor e observação dos problemas práticos dão muito mais resultados do que palavras e apresentações bisonhas em Power Point.

Todo incompetente gosta do mundo abstrato, uma espécie de universo paralelo onde ele se esconde e se autojustifica. O mundo abstrato é formado por frases de efeito, muitos adjetivos e poucos números, muita conversa e pouco ou quase nada por escrito, promessas ao invés de planos documentados, atributos em vez de análise quantitativa e visão passional ao invés de análises objetivas dos problemas.

O mundo abstrato dos incapazes cria dificuldades confusas sobre tudo, afirma que “cada caso é um caso”, diz que “aqui na empresa e no segmento onde atuamos é tudo mais difícil”, pede projetos de longo prazo, cria comitês que nada resolvem e usa palavras de difícil entendimento. O universo do faz de conta abomina padrões escritos e disciplina e exalta a criatividade, ícone do mundo abstrato.

Este universo é confortável, mas infelizmente (ou felizmente) não paga as contas e quebra empresas.

Observe os profissionais ao seu redor e identifique quem pertence a que mundo. Quem pede conscientização, comprometimento e criatividade é do mundo abstrato. Quem, ao contrário, luta pelas regras escritas, pelo treinamento “mão na massa” e pela disciplina, pertence ao mundo concreto.

Quem fala muito, enche o saco de todos e não resolve absolutamente nada. O lucro depende de ação organizada a partir de pensamentos organizados e não de lorotas vagas e linguagem bonita, mas ineficiente.

O incompetente adora justificar o não cumprimento de uma meta com justificativas muito distantes, como “não bati a meta de vendas porque o mercado caiu, porque a crise na Europa continua ou porque a Dilma tropeçou no tapete do banheiro”. São causas distantes do mundo real de uma empresa e praticamente não há nada para fazer. Pouco adianta contratar uma consultoria para cruzar centenas de dados de bases distantes, calcular o PIB de cada região e outras fantasias com a bunda na cadeira sem gastar sola de sapato.

Prefira astronautas que tocam no solo da Lua a astrônomos, que só olham de longe os planetas no conforto das suas cadeirinhas.

A própria criatividade não vem de mentes privilegiadas, mas origina-se da observação da realidade e da ligação de todos os pontos, como dizia Steve Jobs.

Livre-se dos que vivem no mundo abstrato. Promova e desenvolva os que vivem no mundo concreto. Demita os gerentes Power Point e exalte os gerentes Excel, ou seja, aqueles que trabalham com números extraídos da sola de sapato, do suor e das longas viagens em busca do cliente e da compreensão da situação real das coisas que cercam a vida de uma empresa.