O desperdício mais cruel – a mutilação dos jovens

12/07/2011

O pior dos desperdícios é o do talento. Muitos jovens têm seu potencial atrofiado por um péssimo sistema de ensino e nunca alcançam a performance que poderiam. Sofrem todos, eles, as empresas e a comunidade. RH precisa estar atento para evitar esta perda dentro das organizações.

Conheço muitos jovens que são honestos, inteligentes, trabalhadores e estão doidos para progredir, mas que estão definitivamente prejudicados. Foram mutilados covardemente pelo sistema de ensino do Brasil. No melhor momento para aprender, para terem sua curiosidade científica aguçada, para adquirirem o hábito da leitura, da concentração e do estudo, foram alijados de tudo isto por escolas precárias, professores vagabundos e um sistema de avaliação ridículo, que não cobra mais nada, não reprova, não disciplina, só oferece facilidades. Qual é a melhor maneira para criarmos um ser humano desanimado e dispersivo? Oferecendo facilidades. Ofereça facilidades e você gerará um parasita que incomodará a sociedade até a morte. Estou me referindo tanto ao sistema público quanto ao sistema privado. Estou me referindo mesmo às melhores e mais caras escolas. Pais e a comunidade não percebem e talvez nem queiram perceber o crime que estão cometendo contra seus filhos. Nossos jovens sabem cada vez menos matemática, português e ciências. Ouçam os jovens comissários de bordo das companhias aéreas brasileiras falando inglês (parecem terroristas árabes que sequestraram o avião). A lógica é pobre e ninguém parece mais saber escrever.

Um dia destes, descobri que um gerente, 25 anos, graduado em Administração, não sabia ler quando pedi que lesse em voz alta o que estava sendo projetado em uma tela. Foi constrangedor. Ele lia sem pontuação, sem compreensão do texto e engasgava na pronúncia de palavras com mais de duas sílabas. Exceto alguns abnegados que ainda tentam fazer algo de qualidade, o ambiente em nossas escolas é similar ao de um presídio: apelidos, bullying, pouco trabalho, professores que não conhecem o que ensinam e se comportam como idiotas em sala de aula, falta de respeito etc. Não é à toa que as empresas precisam treinar seus futuros gestores em questões básicas como limpeza, organização, etiqueta social e hábitos de estudo. Nossos jovens chegam às organizações semianalfabetos, mal-educados e sem noção do que é o mundo dos negócios. Sem deveres para fazer em casa, sem professores de qualidade, sem disciplina, sem acompanhamento dos pais (que estão trabalhando), em uma sociedade repleta de corruptos e de pornografia, cercados de maus exemplos, com plena consciência da impunidade, vivendo em um continente onde a maioria dos países é comandada por bandidos ignorantes, o que se pode esperar como resultado da formação de um jovem? Só um milagre formaria gente honesta, capaz e perseverante. E a parada da maconha? Que tal? E a estudante que colocou uma microssaia e virou “celebridade”?

Pobres jovens, pobres filhos, que desperdício! Estamos assassinando lentamente a boa vontade, a esperança e o entusiasmo que são características da maioria dos jovens. Estamos fazendo com que eles percam a boa-fé. Conversas precisam ser gravadas para valerem algo, a palavra empenhada não vale mais muita coisa e os crimes vão se sucedendo em uma sociedade que parece incapaz de reagir, onde os bons estão intimidados, desorganizados e sem saber como reagir.