O grande segredo de Jorge Paulo Lemann

10/03/2008


Caros amigos e leitores, quando um craque fala, todos devemos escutar com muita atenção. O craque é Jorge Paulo Lemann. O assunto é gestão. Entender os conceitos e transformá-los em ação, eis nosso desafio. A entrevista está na edição 66 da revista HSM Management. Os comentários estão no artigo 86.

Um cliente e amigo, Frederico Miranda, pediu-me que escrevesse um artigo comentando a entrevista que Jorge Paulo Lemann concedeu à revista HSM Management na edição de jan/fev de 2008.

Excelente pedida, Fred! Quando um empresário do porte do Jorge Paulo Lemann fala, todos devemos ouvir e pensar sobre suas palavras.

Não pretendo reproduzir trechos da entrevista. Seria uma mutilação inaceitável. Sugiro que todos leiam o texto na íntegra. A revista ainda está nas bancas.

O ponto mais forte da entrevista? A SIMPLICIDADE e a FORÇA DO TRABALHO. É muito interessante verificarmos o esforço do entrevistador (muito bom, saliente-se) para encontrar algo diferente na cultura vencedora da antiga Brahma. Mas não há nada novo nas palavras de Jorge Lemann. Nada mesmo. Nem mesmo a declaração dos 18 princípios que formaram a cultura vitoriosa dos empreendimentos liderados pelo empresário e por seus sócios é “uma bomba”, o “pulo do gato”, ou algo que faça o leitor tremer. O grande impacto do texto é, repito, A SIMPLICIDADE e a FORÇA DO TRABALHO. Tenho certeza de que muitos podem duvidar que seja assim tão simples e podem atribuir a outros fatores o grande sucesso desta gente. Mas não há o GRANDE SEGREDO. Quem dera, houvesse! Talvez fosse mais fácil convencer empresários e gestores a melhorar suas empresas. Talvez muitos passem toda a vida procurando o GRANDE SEGREDO. Mas ele não existe. Jorge Lemann fala sobre a importância da gestão, sobre o gerenciamento de pessoas como o ativo fundamental das companhias e sobre a educação. Fala que nossa cultura acadêmica é muito complicada e que devemos trabalhar muiiiiiito. O mesmíssimo papo de Jorge Gerdau, Antônio Ermírio, Ayrton Senna, Bernardinho, Felipão, Jack Welch, Sarcozy etc. Simplificar e trabalhar. Trabalhar e simplificar. Evidente, utilizando tecnologia e inteligência, mas com simplicidade extrema e muitas, muitas horas de ralação. Abaixo o ócio criativo. Abaixo o “pegar leve”. Abaixo o slow down europeu. Aliás, Jorge Lemann cita que os brasileiros da AmBev foram uma surpresa agradável para os belgas quando da formação da InBev. A cultura “brasileira” prevaleceu na gestão.

O que fazer, então? Como as palavras do grande empresário podem se transformar em ação produtiva em nossas empresas? Minha sugestão: se eu fosse gerente ou diretor de uma organização, faria todos os empregados lerem a entrevista, sublinharem os pontos principais e confrontar sua empresas com estes pontos. Encontradas falhas, elaborar um plano de ação. Nenhum bom artigo e nenhuma boa entrevista valem para nós se não forem transformados em ação concreta. Como afirmou Platão, definindo o conceito de CONHECIMENTO: “...CONHECIMENTO É AÇÃO”.