O kipá

03/10/2011

Um cliente chamado Sérgio Wais presenteou-me com um KIPÁ. Fiquei encantado com o significado: acima de você, existem muitos outros, melhores do que você e, acima de tudo, Deus. Você pode ter convicções, mas somente Ele tem certeza. Adaptando o conceito para o mundo dos negócios, encha-se de humildade, vá a campo, lidere com os ouvidos e não com a boca, tenha interesse genuíno no que os outros podem ensinar e melhore a qualidade das suas decisões, prestando muita atenção nos fatos que estão bem a sua frente. Menos relatórios e mais campo.

Um cliente de origem israelita presenteou-me com um KIPÁ e explicou-me o seu significado: nunca devemos esquecer que existe Alguém acima de nós. Talvez não somente Deus, mas também muitas outras pessoas melhores do que nós. Ou seja, precisamos conservar uma atitude humilde diante da vida, mesmo e principalmente quando o sucesso bate na nossa porta. Este KIPÁ ocupa hoje lugar de destaque entre os souvenirs que guardo em minha biblioteca, pois é educativo o seu significado. Trazendo o assunto para o mundo dos negócios, fiquei pensando que todos os presidentes, conselheiros, acionistas e diretores também deveriam usar algo semelhante ao KIPÁ, para que mantenham a atitude humilde de ouvir e de liderar mais com os ouvidos e com a mente do que com a boca. A humildade permite que um gestor entenda melhor seus clientes, seus empregados, seus produtos e sua própria empresa. Tenho encontrado muita gente talentosa ao longo destes anos todos de consultoria que se perdeu no caminho por não ter entendido a mensagem do KIPÁ: esqueceram completamente da humildade e que precisam ouvir para aprender. Precisam ouvir “de coração” e não apenas como uma atitude polida ao deixar os outros falarem. “Ouvir de coração” significa realmente acreditar que qualquer um, independente de quem seja ou da posição que ocupe em uma organização, pode ensinar algo muito importante. Às vezes, vejo apenas atitudes “politicamente corretas”: café da manhã com operários, sistema de sugestões, fóruns de apresentação de novas ideias etc. Entretanto, funcionam precariamente porque não guardam o interesse genuíno dos que detêm o poder, eles apenas cumprem um papel em um teatro mal pensado.

Quanto mais alto o cargo que alguém ocupa em uma companhia, mais contato esta pessoa deve procurar com o campo. Mas, afinal de contas, o que é o campo? Ir ao campo significa ter um método para ouvir sistematicamente empregados, fornecedores, clientes, acionistas e até os concorrentes. Significa sair do escritório, abandonar o mundo virtual, os relatórios, as salas de reunião, as apresentações em Power Point, os e-mails e gastar sola de sapato na “zona do agrião” (expressão usada antigamente no futebol e que identificava a pequena área, onde existe a confusão entre zagueiros, o goleiro e os atacantes adversários em busca do gol). Coloque, portanto, o seu KIPÁ, encha-se de humildade, e vá para a “zona do agrião”. Normalmente, sua empresa é pior do que você imagina. Normalmente, você não sabe tanto mais do que os outros como imagina e normalmente seu concorrente é melhor do que imagina. Então, pare de imaginar, adote uma atitude de aprendiz e enfrente a realidade nua e crua, bem atento aos fatos que estão diante de você. Somente desta forma poderá melhorar a qualidade das suas decisões.