O modo de fazer alguma coisa

16/01/2013

Quem se comporta mal em pequenas situações ou faz tarefas menores de forma relaxada, é sempre assim. Não espere que o ser humano seja atento e comprometido em determinadas situações e relapso em outras. Somos um todo indivisível e o modo como fazemos alguma coisa é o modo que fazemos todas as coisas. Esta última frase pertence a um autor chamado T Harv Eker, que escreveu os “Os segredos da mente milionária”. Excelente inspiração para que saibamos avaliar melhor os profissionais que convivem conosco em todos os níveis.

“O modo como você faz alguma coisa é o mesmo modo que você faz todas as coisas”. Esta frase é de T Harv Eker, autor do best seller “Secrets of the millionaire mind”. O conceito é perfeito e deve ser aplicado pelos gestores de RH e pelos gestores em geral para selecionar e avaliar pessoas.

Meu pai sempre dizia que nada como uma viagem longa para que conheçamos uma pessoa. Verdade absoluta. Em uma viagem, enfrentamos pressão de aeroportos, transporte de malas, hotéis e alimentação diferentes a cada momento, adaptação rápida a situações novas e culturas distintas. Se observarmos como nossos parceiros de viagem se comportam nas pequenas coisas, podemos saber como eles se comportarão nas grandes coisas. Ninguém consegue fingir ou representar vários papéis o tempo inteiro. Se você pensar um pouco e analisar pessoas que você conhece com mais intimidade, você verá que a história delas sempre fecha, sempre faz sentido. Por exemplo, conheci um diretor empregado em uma empresa que havia deixado a firma de seu pai praticamente expulso pela família. O motivo: tentou enganar os irmãos em questões financeiras. Ele representou o papel de santo na nova empresa durante alguns poucos meses e embora fosse odiado pela sua equipe, caiu nas graças do presidente e foi promovido rapidamente para o escritório da empresa nos Estados Unidos. Lá, foi preso por porte de cocaína e atentado ao pudor. Deportado para o Brasil e demitido da companhia, foi assassinado em uma desavença em uma boate de segunda categoria, no interior de Minas Gerais. A vida dele foi toda absolutamente coerente. Sua morte fechou com a sua vida. Viveu fora da lei, morreu fora da lei. Fazia as pequenas tarefas de um diretor da mesma forma equivocada e falsa que caracteriza seu comportamento. Teve momentos de prosperidade, mas o DNA ruim prevaleceu. O dono da empresa que o promoveu comentou mais tarde comigo que várias vezes observou pequenos desvios no comportamento do seu diretor, mas relevou por achar que pequenas coisas são insignificantes na avaliação de um profissional. Ledo engano: você é o que você é SEMPRE.

Outro exemplo: há alguns meses eu estava ministrando um treinamento em Santa Catarina. Eram quase 10 da manhã, eu continuava falando e um coffee break já estava servido. Um gerente foi chamado na porta da sala para assinar algo e aproveitou para comer alguma coisa e beber um suco, antecipando-se a todo o grupo. Um gesto egoísta e de falta de respeito para com todos seus colegas. Alguém comentou que meu juízo sobre este cara era exagerado, inclusive porque eu o repreendi quando ele entrou novamente na sala com aquela cara de malandro que dizia “levei vantagem sobre todos vocês”.

Um ano mais tarde, ele foi demitido após desrespeitar repetidamente um dos clientes mais importantes da empresa. Para mim, nenhuma surpresa. Observe como sua equipe e todos os demais profissionais com quem você se relaciona fazem as pequenas coisas. Eles terão comportamento semelhante nas horas decisivas e nos assuntos mais importantes.