O sofrimento

30/12/2008

Nossa educação não nos prepara para o sofrimento. Desenvolvemos o hábito de evitá-lo a qualquer custo, mesmo que paguemos um preço muito grande um pouco mais adiante. Crescer dói e não é agradável. Nossa incapacidade de compreender que sofrer é inevitável tem seu preço e evita que aprendamos e tiremos benefícios do sofrimento. A conseqüência é a manutenção dos problemas.

Nossa educação não nos prepara para o sofrimento. Desenvolvemos o hábito de evitá-lo a qualquer custo, mesmo que paguemos um preço muito grande um pouco mais adiante. Crescer dói e não é agradável. Nossa incapacidade de compreender que sofrer é inevitável tem seu preço e evita que aprendamos e tiremos benefícios do sofrimento. A conseqüência é a manutenção dos problemas.

Freqüentemente sou contratado para conduzir auditorias internas nas empresas. Toda auditoria representa um momento de sofrimento. Treino grupos de auditores internos e vamos para a auditoria. Não é raro encontrar em uma semana mais de 200 não-conformidades, sem muito esforço. Planos de vendas que não existem, previsões de vendas sem qualquer análise de dados do mercado, fornecedores mal selecionados, pagamentos mal feitos, erros na contabilidade, condições precárias de limpeza, organização e utilização nos locais de trabalho, avarias nos produtos que estão prontos para serem enviados para os clientes, projetos que começaram por uma “boa idéia” mas que não têm qualquer fundamentação de custo x benefício, descrição e perfis de cargo desatualizados e que servem para nada, gente ociosa, metas não cumpridas sem análise de causas, problemas que se repetem eternamente, cronogramas não realizados, orçamento extrapolado sem justificativa plausível e sem aprovação da diretoria, funcionários selecionados fora do perfil, falta de treinamento em funções críticas, produtos mal lançados, atrasos de toda a ordem, treinamentos caros que não têm análise da real eficácia, estoque bagunçado, falta de estratégia clara da direção, gerentes despreparados, indisciplina no cumprimento dos procedimentos que a própria empresa escreveu etc.

Quando apresento o relatório, fico algumas vezes surpreso porque ele não representa surpresa para ninguém. Quando ouço gerentes, supervisores e funcionários comuns da empresa, eles conhecem muitas destas falhas. Sabem das causas e têm sugestões sobre as soluções. Mas tudo isto fica no “submundo”das organizações. Não chega à direção ou lá não tem receptividade. E a companhia sangra lentamente. A situação, em alguns casos, é de uma inércia lamentável. Algumas falhas têm uma lógica impressionante: elas ficam “blindadas”. Todos as conhecem mas ninguém parece ter força para destruí-las.

É preciso muita determinação para romper esta blindagem e para mudar a atitude submissa, ausente ou inerte da equipe. Somente a direção tem este poder. Se ela não tiver a lucidez de contratar uma auditoria e se não tiver a humildade de acatar os resultados, ela poderá estar assinando a sentença de morte de sua empresa. Auditoria não deve ser um evento, deve ser um processo ligado diretamente à Presidência. É um instrumento poderoso e ainda muito mal utilizado pela maioria das organizações.