Os covardes e o sentimento de conformar-se

22/10/2010

Estamos diante de uma geração fraca de empregados e de líderes. Gente que se submete rapidamente às derrotas e que dá-se por vencida com muita facilidade. Falta de cuidado na definição dos perfis e desconhecimento completo do poder dos VALORES e de sua disseminação dentro da empresa agravam o problema.

Conformar-se é submeter-se, é dar-se por vencido, é adaptar-se a uma situação. O sentimento de indignação, que é o oposto da conformidade, parece ficar cada vez mais distante de muitos profissionais e de suas empresas. Desperdícios de material, acidentes e perda de clientes parecem não interferir fortemente no ânimo e nas atitudes de muita gente. Muitas vezes, em um último apelo para sentir-se importante, o cliente ameaça com um “eu vou parar de comprar de vocês”, “nunca mais volto aqui” e outras frases do gênero. Nem isto abala os covardes e arrogantes que, impermeabilizados por uma capa de vaidade, dão de ombros e afirmam não se importar. A preguiça e a arrogância normalmente andam de mãos dadas e caracterizam homens e mulheres com baixíssimo grau de ambição. Quem tem ambição e sabe aonde quer chegar, aguenta pressão, ouve reclamações com interesse genuíno, mantém-se calmo diante de uma situação adversa e constrangedora e age com equilíbrio e humildade. Reconhece erros, mas não se conforma com eles. Entende porque perdeu, mas nunca aceita a derrota. Luta até a última gota de sangue e não desiste jamais. Aliás, NUNCA DESISTA é o título de uma obra de Churchill que conclamava os cidadãos da Inglaterra para a resistência contra os nazistas na segunda guerra.

Uma das queixas mais frequentes que ouço de gestores e de empresários é a fraca resposta que obtém de suas equipes diante das adversidades. Ninguém se compromete, ninguém fica indignado, ninguém reclama, ninguém discute, ninguém denuncia, ninguém se importa. Ninguém parece disposto a se sacrificar. Desapareceram os humanos com vergonha na cara. Uma senhora sentiu-se mal em uma rede enorme de supermercados em Porto Alegre e a primeira atitude dos empregados foi carregá-la para fora da loja e sentá-la em uma cadeira, não prestando socorro nem oferecendo sequer um copo de água. Foram orientados para “não se envolver com clientes”. A vendedora de uma loja de vestidos caros em Gramado, quando perguntada se tinha um determinado produto, disse, mal olhando para o cliente: “... o que tem (sic) está exposto aí...”. Certamente todos que me lêem têm dezenas destas histórias para contar. Causas: sistema educacional (na família, na comunidade e na escola) de baixíssimo nível. Solução? Selecionar gente com o melhor perfil possível e treiná-los incessantemente, ensinando-os a trabalhar e incutindo em suas almas e mentes os valores da empresa. Solução fácil? As empresas não colaboram com elas mesmas. A carência de pessoas boas já é imensa e é agravada por sistemas de gestão que não cuidam na definição dos perfis, na seleção dos novatos, no treinamento e na determinação dos valores. Raríssimas companhias têm valores que realmente servem para algo mais do que simplesmente enfeitar quadros e paredes. Os valores representam a cultura e CULTURA É O QUE SE PERMITE. Muitos dirigentes nunca pensaram sobre isto ou simplesmente desprezam este assunto e passam a vida inteira “curtindo” a gentinha que admitem em suas organizações. Bom proveito!