Os ladrões do tempo

20/06/2011

Falta de padronização, politicagem interna, reuniões mal preparadas e desnecessárias e ausência de planejamento roubam diariamente o recurso mais crítico para qualquer profissional: o tempo. Somente desenvolvendo a sensibilidade para tal desperdício pode-se adotar atitude de comando em relação ao tempo, que somente sabe fazer uma coisa: passar.

O tempo é um dos dois únicos recursos que realmente existem. O outro é dinheiro. Todos os demais recursos que um projeto ou que a rotina exigem acabam em tempo e/ou dinheiro. Porém, o tempo é um recurso mais crítico do que o dinheiro.

Dinheiro você recupera, pega emprestado no banco ou até acha no chão. Tempo, não. Jamais recuperamos o tempo perdido e não podemos pedi-lo por empréstimo. Às vezes, utilizamos a expressão “recuperar o tempo perdido”, mas não passa de retórica ou de uma forma popular de falar. O tempo apenas passa, some e nunca mais o encontramos.

Sendo assim tão crítico, precisamos odiar a todos que nos façam perdê-lo e eliminar de nossas empresas os desperdiçadores de tempo. E eles são muitos. Um dos fatores que mais colabora para colocar o tempo no lixo é a falta de padronização. Quando não seguimos procedimentos pré-estabelecidos para as tarefas diárias dos processos, queimamos inutilmente este precioso recurso. A falta de padronização gera retrabalho, discussões repetitivas e inúteis e arrebenta nosso cronograma e nossa agenda diária. Outro grande inimigo é a politicagem interna das organizações. Em função dela, muita conversa sem sentido, muitas explicações desnecessárias e muitos desgastes que destroem a paciência e o tempo de quem deseja trabalhar. Aliás, deveríamos eliminar todas as barreiras para quem quer apenas trabalhar e não atrapalhá-los com as bobagens da politicagem interna. Além disto, reuniões mal preparadas, onde a pauta não tem sentido e onde o nível de preparação é baixo, contribuem de forma decisiva para esbanjar o tempo. Napoleão afirmou que “há ladrões a quem não se castiga, mas que roubam o que há de mais valioso: o tempo”. Outro destes ladrões é a falta de planejamento. O estado natural das coisas no universo é o caos e o mundo externo (e também o interno, muitas vezes) vão contribuir apenas para bagunçar nossas agendas. O planejamento é uma das mais eficazes ferramentas contra os ladrões do tempo: estabelecer prioridades, definir metas (foco) e saber dizer não para o restante, eis o que ele nos dá.

Aprender a usar o tempo deve ser aprendido, pois não nascemos normalmente com este dom. Sem este tipo de aprendizado, há forte probabilidade de que nossos hábitos e atitudes em relação ao tempo sejam deficientes. A falta de percepção quanto à criticidade do tempo limita nosso desenvolvimento e nosso progresso porque tudo o que fazemos (inclusive não fazer nada) consome tempo. Muitas vezes, o que fazemos não gasta dinheiro, mas sempre gasta tempo. Não há, portanto, uma maneira de poupar tempo, apenas há técnicas para gastá-lo melhor.

Os profissionais de maior sucesso são normalmente aqueles que desenvolveram a sensibilidade em relação à extrema importância da administração eficaz do tempo. Os outros não passam de um grupo de tontos que, apesar da boa vontade, comportam-se como trapalhões motivados mas sem método. Escrevo este texto a bordo de um avião, para aproveitar o tempo. A maior parte das pessoas ao meu redor dorme ou simplesmente olha para o nada. Pessoas passivas tendem a acreditar que sua vida está ao sabor dos eventos externos e adotam uma atitude de passividade e subordinação a esses eventos. Por isso não são produtivas e tendem a evoluir menos.