Os velhos

01/10/2012

Você está velho quando, sentado à mesa, conta predominantemente histórias com mais de um ano. Manter-se jovem é contar a história que aconteceu ontem e hoje. Velhice não tem relação com idade, mas com um traço de caráter que impele o sujeito para a arrogância, para o ócio e para uma vida sem projetos.

Hebe Camargo morreu e Danilo Gentili, que havia recentemente chamado a estrela de múmia, disse que não se arrepende da piada. Mas, afinal de contas, quem é este cara? Um aprendiz de artista, um pseudocomediante, um desqualificado e bisonho palhaço que só entende o humor da cintura para baixo ou utilizando palavras grosseiras para ofender artistas de verdade. Ninguém realmente se importa se ele se arrepende ou não e nem piada ele fez, porque piada não é agressão. Em resumo, ele é um “Zé ninguém” que agrediu alguém de quem ele jamais se aproximará da grandeza. Escolhi este fato do final de setembro para escrever sobre os velhos e a velhice no mundo empresarial. Velhice não existe neste ambiente, existe apenas competência ou incompetência. Conheço muitas e muitas pessoas com mais de sessenta ou setenta que deixam no chinelo os jovens. Entretanto, a discussão não se resume a uma “guerra das idades”, os jovens contra os velhos.

O que gostaria de expressar versa sobre as características da velhice empresarial, que chamarei daqui para frente de obsolescência. O obsoleto se identifica pela ausência de atualização, pela interrupção do aprendizado, pela arrogância e pelo que chamo de “xícara cheia”, ou seja, a mente está tão fechada que não cabe mais nada nela. Estes maus atributos não estão vinculados à idade, mas estão vinculados à personalidade. Você sabe se alguém é obsoleto quando as histórias que ele conta têm mais de um ano. O cara atualizado e vibrante é o sujeito que sempre conta a história de ontem, cheirando “à tinta”. O cara “velho” é aquele que sempre conta as mesmas, velhas e emboloradas histórias de dez ou quinze anos atrás.

Velhice é não ter projetos. É não ter metas. É não entender mais o colorido da vida. É não querer incomodação. E conheço muitos jovens de idade, mas que tornam-se obsoletos por covardia, preguiça e acomodação.

Um conselho a todos: jamais pensem em aposentadoria. No dicionário de um profissional moderno, aposentadoria não existe. Aposentar-se? O que seria? Chinelinho, pijama, viagens que se tornam sem graça, clube, piscina e ócio? Emburrecimento agudo? Não, muito obrigado. Jamais subestime o fato de ser produtivo. A produtividade, especialmente a mental, garante a saúde e a graça de uma vida. O resto da conversa é para vagabundos. Ou para palhaços, como o triste personagem do início desta história.