Pirralhos e fedelhas

11/01/2010

A política de vida fácil que muitas escolas e muitas famílias proporcionam para seus filhos faz com que eles não tenham a mínima noção da realidade quando saem da escola e vão para o mercado de trabalho. Pirralhos e fedelhas com ares de importância e conteúdo escasso no cérebro.

Conheço várias pessoas com o seguinte perfil: idade entre 19 e 25 anos, graduadas em algum curso superior, algumas com pós-graduação ou cursando MBA, uma ou outra com pequena experiência no exterior, a maioria com conhecimentos medianos em inglês e um ou dois empregos no currículo. Sabem muito pouco sobre sua área, tem muito pouco método e atitudes deploráveis. Ridiculamente incomodam as empresas que os empregam, reclamando constantemente de salário, bisbilhotando o salário dos outros, sonhando com “grandes oportunidades” sempre em locais distantes de onde estão, falando bobagens sobre o mercado, lendo muito pouco e exigindo seus direitos trabalhistas. Perguntam frequentemente sobre o plano de carreira e recusam-se a trabalhar mais horas do que as que estão em seus contratos. Feriados e fins-de-semana, não contem com eles em qualquer situação. Falam em “qualidade de vida” e gastam horas a fio na Internet. Criticam seus chefes e seus empregadores. Classificam como “ridículas” algumas atitudes dos seus superiores e estão sempre prontos para trocar a empresa onde trabalham por meia dúzia de centavos.

Tenho uma palavra para eles: vocês não passam de um grupo de pirralhos e fedelhas, que não valem um centavo furado no mercado. O valor de mercado de vocês é simplesmente zero. Vocês deveriam pagar para trabalhar, esquecer salário nos cinco primeiros anos e ler tudo o que aparecer pela frente. 10 horas no mínimo de trabalho por dia e muita dedicação às empresas onde trabalham. Esqueçam a prioridade para feriados, festas e qualquer outro evento que possa colidir com os interesses das empresas. Falem menos, opinem menos, critiquem menos e tratem de fazer algo prático e que valha a pena. Prestem atenção nos profissionais mais bem sucedidos e imitem-nos. Durmam pouco e estudem muito. Quando vocês iniciam suas vidas profissionais, vocês devem muito para o mundo e o mundo nada deve para vocês. Tratem de pagar “a dívida” com muito trabalho e respeito. Respeitem seus pais, que pagam (ou pagaram) muitas de suas contas. E respeitem o lugar onde trabalham. Ele foi fundado e é dirigido por pessoas que têm muito para ensinar e eles pagam vocês para ensiná-los. Antes de tentar mudar o mundo e questionar seus superiores, tentem implantar uma medida prática que aumente substancialmente a receita ou reduza drasticamente o custo das organizações. Raul Seixas escreveu uma canção chamada Ouro de Tolo, onde ridicularizava a vida cotidiana e dizia que tinha uma série de coisas mais importantes para conquistar, não especificando exatamente que coisas eram estas. Tolo era ele, que morreu de cirrose aos 44 anos.

Obviamente muitos jovens não se enquadram neste texto porque já enfrentaram muitas dificuldades e sabem o valor que um emprego e uma oportunidade têm. A política de vida fácil que muitas escolas e muitas famílias proporcionam para seus filhos faz com que eles não tenham a mínima noção da realidade quando saem da escola e vão para o mercado de trabalho. Jovens educados em “boas” escolas e oriundos de “boas” famílias comportam-se como idiotas no trabalho. Incapazes de suportar pressão, abandonam rapidamente boas empresas, jogando no lixo oportunidades de crescimento.

Conheço também vários destes jovens dez ou quinze anos mais tarde. Na faixa entre 30 e 40 anos, continuam na mesma situação de uma década atrás, sempre sonhando, mas nunca realizando. Como afirmou um amigo, não passam de “trainees velhos”.

Paulo Ricardo Mubarack

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