Por que incompetentes são promovidos?

21/09/2011

Ninguém admite, muitos afirmam que esta prática não existe, mas a lógica perversa de promover incompetentes para não ter “sombras” é instalada e vigora a todo vapor em muitas organizações. Culpa dos acionistas e do presidente, que não entendem que sua maior tarefa não é atingir resultados, mas garimpar as pessoas que vão atingir os resultados. Culpa também de muitos gestores de RH, que não compreendem que eles devem ser os maiores auxiliares da alta administração nesta tarefa.

Nunca alguém vai admitir que fez...
Nunca alguém vai admitir que exista...
Todos vão dizer que é odioso...

Mas já encontrei vários diretores e gerentes que preferiram promover pessoas medianas ou até mesmo ruins para se garantir no cargo, sem sombras. Os incompetentes promovidos ganham muito mais do que merecem, sabem disto e ficam fieis toda a vida a quem os promoveu...

Não é a situação mais confortável para este tipo de diretor ou gerente? Sem sombras e com um grupo de medíocres extremamente fiel a eles.

E, por favor, que ninguém se faça de escandalizado ou diga que estou exagerando. A lógica perversa da promoção de incompetentes existe e é mais comum do que pessoas ingênuas ou novatas no mundo dos negócios possa imaginar. Quanto maior a empresa, pior. Mais esta situação fica provável. Como a alta administração vai conhecer todas as pessoas?

Frequentemente empresários de ponta, como Carlos Alberto Sicupira ou Marcel Telles, da AB InBev, ou o presidente da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, falam sobre a importância dos maiores executivos da companhia circularem pela empresa com o único intuito de “conhecer caras novas”. Diretorias e conselhos muitas vezes fecham-se em si mesmos e passam anos apenas conversando as mesmas coisas com as mesmas pessoas, deixando a promoção da sua gente para os níveis inferiores e atribuindo a esta tarefa uma importância menor.

Há um momento, especialmente nas empresas grandes, onde os acionistas, conselheiros e até o próprio presidente podem apenas “pedir”. Por mais estranho que possa parecer, estas pessoas, aparentemente donas do poder, ficam impotentes perante o tamanho das suas organizações. Elas deixam de executar e passam a ter a real função do líder: escolher as melhores pessoas, desenvolvê-las, dar metas desafiadoras e ajudá-las com a provisão de recursos. Mas para que tudo isto funcione, precisam ser identificadas as melhores pessoas. Quando você passa a ter algumas centenas de funcionários, esta tarefa vai ficando progressivamente mais difícil, mas precisa ser executada pelo alto escalão, sendo tarefa INDELEGÁVEL.

A doença de não identificar os melhores atinge até pequenas empresas e acionistas e outros com poder parecem inaptos, em sua maioria, para esta função. O resultado é o título deste texto: incompetentes são promovidos por gestores inescrupulosos, fracos e inseguros.

Como evitar? Avaliação de desempenho auditada é uma das soluções. Expor as pessoas e observá-las fortemente, circular por todos os cantos da empresa, chamar, para almoços, apresentações e conversas, pessoas que estão escondidas, “garimpar”. Promover gente da casa e não trazer milagreiros de fora. Auditar a avaliação que chefes fazem de subordinados, avaliar obsessivamente pessoas, buscando encontrar os diamantes escondidos.

O grande auxiliar da diretoria para esta missão é RH. A maioria dos gerentes de RH não sabe disto...

Existem muitas empresas que jamais conseguirão entender este texto.