Preconceitos e estigmas

12/04/2012

Empresas, assim como pessoas, têm caráter e personalidade próprios. Não permita, você que é gestor ou proprietário, que sua empresa torne-se cínica. Uma empresa é cínica quando deixa que preconceitos e estigmas massacrem e afastem bons profissionais. Respeitar a diversidade, debater livremente as ideias, ter boas intenções e interesse genuíno pelo destino das organizações caracterizam empregados e empresas honestos. São estas empresas que sobreviverão. Às empresas cínicas está reservado o túmulo.

Já vi muitas pessoas serem estigmatizadas nos seus ambientes de trabalho sem qualquer explicação lógica, sem fatos e dados que comprovassem o que se dizia sobre elas. Apenas estúpidos preconceitos e ignorância explicam o que acontece nestes casos. Exemplificando, já comentaram comigo que tal gerente era intratável ou que um diretor era relapso ou que a supervisora era mal-educada. Observando estas pessoas no seu desempenho profissional, algumas vezes durante um ou dois anos, nunca encontrei qualquer evidência que as mostrasse desta forma. Algumas delas eram comprometidas, bem-educadas e afáveis, o oposto dos seus estigmas. Na realidade, o estigma e o preconceito evidenciam a insegurança e a covardia de quem, sentindo-se incomodado pela sua própria incompetência, prefere atingir aqueles os quais considera uma ameaça para si ou superiores em vários aspectos.
Os dirigentes de uma organização precisam evitar preconceitos e estigmas. Devem divulgar de todas as formas possíveis que a empresa respeita a diversidade, que o foco sempre são os resultados e que toda unanimidade é burra.

Uma família brilhante, proprietária de uma empresa de grande porte e minha cliente, disse-me certa vez: “Mubarack, o progresso de nossa empresa é mais importante do que a paz entre nós. Sempre mantemos o respeito, mas sem frescuras. Não prestamos atenção nos temperamentos ou nas palavras, ora mais duras, ora mais leves. Preferimos analisar os resultados, as intenções e o esforço do nosso time”. Esta empresa faturava há 10 anos, quando os conheci, 80 milhões por ano e, em 2011, encerraram o período com 1,1 bilhões de reais de receita líquida, EBITDA de 18% e rentabilidade de quase 10%.

Tenho alguns amigos psiquiatras. São estudiosos e muito experientes. Todos eles afirmam o lógico: estigmas e preconceitos, além de imbecis, detonam um grupo. As vítimas abandonam o barco e os que ficam apelam para o cinismo para sobreviver. Identificam rapidamente o que os proprietários ou principais executivos gostam de ouvir e se adaptam, em uma metamorfose criminosa para os objetivos da empresa. De uma forma velada ou não, todos compreendem a mensagem na organização e o foco se desvia do resultado, do esforço e do interesse genuíno pelo desenvolvimento da companhia e aponta para o cinismo.

Refletir sobre este tema e implantar medidas que tornem o caráter de uma empresa honesto e avesso a preconceitos e a estigmas são deveres da alta administração e da área de recursos humanos. Empresas, assim como pessoas, têm caráter. Umas são honestas, outras são cínicas. O lucro prefere os honestos.