Preparar-se para o pior

11/11/2011

O planejamento para 2012, que envolve metas, planos de ação e elaboração do orçamento, tem duas expressões-chave que o identificam exemplarmente: “PREPARAR-SE PARA O PIOR, REFORÇANDO O CAIXA” e “DETALHAMENTO EXTREMO DE DESPESAS E DE RECEITAS”. Quem elaborar planos de vendas com números sem uma rigorosa memória de cálculo (mês a mês, dia a dia, quanto vamos vender, qual produto, para quem) e orçamentos de despesas sem mergulhar nos detalhes dos gastos, é sério candidato ao fracasso.

Muito antes de preparar uma empresa para ter uma visão grandiosa do futuro, muito antes de tentar prever o futuro e definir cenários, o planejamento estratégico serve apenas para PREPARAR UMA EMPRESA PARA O PIOR. Como? Tomando ações para reforçar o caixa. Se o pior vier, estamos preparados e sobreviveremos (ainda, quem sabe, aproveitando oportunidades criadas pela falência ou encolhimento dos concorrentes que não se prepararam para o pior). Se o pior não vier, estaremos fortes para crescer com sustentação financeira. Não há contraindicação para PREPARAR-SE PARA O PIOR!

Muitos empresários são céticos em relação ao planejamento estratégico e têm sua opinião reforçada por consultores estúpidos que alimentam falsas expectativas de crescimento e que, através de métodos pseudosofisticados, elaboram planos de verdadeira ficção, cujo destino é a gaveta e cuja tônica é a falta de credibilidade.
Planejar é fundamental e estamos conversados. Quem duvidar, é louco! Porém, planejamento precisa ter caráter empresarial como tudo em uma organização. Isto quer dizer que o planejamento deve ser enxuto, claro, objetivo e que deve, antes de qualquer outra ação, REFORÇAR O CAIXA. Uma boa empresa tem uma dose razoável de paranóia e enxerga coisas retorcidas e assustadoras que podem quebrá-la no próximo ano. Esta é a premissa: vem um ano de crise. Se não vier, correr atrás será uma alegria. Se vier, outra alegria, pois estaremos armados para enfrentar o monstro. Espero ter sido claro: planejamento estratégico (ou o nome que se queira dar) serve para PREPARAR UMA EMPRESA PARA O PIOR, REFORÇANDO O CAIXA. Ah, e outro aspecto: você, empresário ou executivo, que vai elaborar seu plano para o próximo ano, aceite o fato que prever o futuro é muito difícil e que seus planos, incluindo o orçamento, terão no máximo 30% de acertos. Os outros 70% de erros que inevitavelmente cometeremos serão ajustados no decorrer do caminho, através de uma checagem obstinada e diária. Eu disse “diária”. E não argumente que “se vou acertar no máximo 30%, para que serve, então, planejar?”, porque estes 30% e todo o exercício que você fez, adicionados à vigilância diária, é que fazem toda a diferença sobre seus concorrentes. Benditos 30%!

O que encontro em muitas empresas? Total desconhecimento da lógica destes conceitos. O resultado: empresas fracas, que vão bem quando todos vão bem e q ue vão mal quando todos vão mal. E que, em um determinado momento, pela fraqueza que contraíram, serão vendidas ou quebrarão.

Paulo Ricardo Mubarack