Que serviço ela prestou!

10/02/2011

Fui consultado, alguns anos atrás, sobre a prestação de consultoria para uma empresa do varejo. A gerente de RH e Gestão achou o preço muito alto. Consultou outras empresas de consultoria e aquelas com preço baixo não tinham qualidade e as com preço alto não tinham... preço!



Fui consultado, alguns anos atrás, sobre a prestação de consultoria para uma empresa do varejo. A gerente de RH e Gestão achou o preço muito alto. Consultou outras empresas de consultoria e aquelas com preço baixo não tinham qualidade e as com preço alto não tinham... preço! Desta forma, a empresa, por orientação da sua gerente, não fez qualquer trabalho. Empresa antiga, sem sistema estruturado de gestão, quatro anos depois passou a enfrentar a concorrência forte de gente que havia feito diversos trabalhos de consultoria em gestão, treinamento em vendas etc. Passa por maus momentos, perdendo rapidamente participação no mercado. Fiquei pensando: “que serviço ela prestou para sua empresa!”. “Economizou” alguns centavos e incapacitou a sua companhia para a competição. Em outra ocasião, um empresário me disse: “Não costumo contratar qualquer consultoria. Preferimos caminhar com nossas próprias pernas!”. A empresa dele também está entre as mais atrasadas que conheço.

Obviamente, alguém pode pensar com facilidade que estou puxando a “brasa para minha sardinha”. Não se trata disto. Consultorias são agentes de avanço para as organizações. Devem trazer as melhores práticas e ajudar na solução de problemas crônicos. Devem atuar na cultura, eliminando vícios e péssimos hábitos, desmontando feudos e estimulando a mudança positiva. São como escolas, onde as pessoas compram conhecimento e conhecimento, logicamente, nunca é demais.

Como em qualquer outra atividade humana, existem as boas e as más consultorias. Por ser totalmente isenta de regulação, é campo fértil para pessoas desqualificadas. Cabe ao mercado selecionar os bons e eliminar os fracos. Nada é justificativa, entretanto, para que as empresas simplesmente ignorem que buscar conhecimento em consultorias, empresas de treinamento e escolas de negócio é tão fundamental quanto comprar boas máquinas e computadores.

“Ah, mas é caro!”, argumentam alguns. Caro é o preço da IGNORÂNCIA, eu afirmo e provo. Consultorias aumentam o controle interno, reduzem riscos e desenvolvem pessoas, com reflexos claros na redução de custos e no aumento de receita. Como dizia Deming, é lamentável que este conceito seja conhecido apenas por uma seleta minoria.

Paulo Ricardo Mubarack
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