Que vergonha, professor!

15/10/2009

Dinheiro não ensina pessoas erradas a fazerem coisas certas. Nossos professores, especialmente os da rede pública de ensino superior, precisam ser auditados. Alguns têm atitudes irresponsáveis em sala de aula, mostrando para os futuros gestores de nossas empresas como um mau profissional se comporta.

Não faltaram publicações nestas últimas décadas no Brasil lamentando os baixos salários e as péssimas condições de trabalho dos professores, especialmente os da escola pública. Entretanto, neste texto lamento as atitudes baixas e mesquinhas de alguns professores da rede pública de ensino superior. Professores que de “mestres” só têm o nome e são maus exemplos para jovens universitários. Mostram aos alunos como um descomprometido com o trabalho se comporta e não como um profissional deveria agir. Vamos a alguns fatos relatados por alunos de uma universidade pública brasileira:

1. Os melhores alunos estudam nas universidades públicas. Nelas, alguns professores faltam às aulas antes da prova, enviando substitutos que não sabem se o conteúdo que estão ministrando “cai na prova”, deixando os alunos desorientados. É a lógica perversa do Brasil: ferrar com quem estuda e com quem trabalha. Estudaram mais e ganharam um brinde: alguns professores relapsos que, de forma covarde, se escondem atrás da estabilidade e da impunidade do serviço público.

2. O professor promete que vai colocar o gabarito de exercícios no final de semana (a prova é quarta) e não coloca. Depois, alega que “esqueceu”.

3. Professores despejam matéria sem tempo mínimo para os alunos absorverem o conteúdo e tirarem dúvidas.

4. Havia mais alunos do que cadeiras em uma aula. O professor simplesmente ignorou o fato e continuou com a aula, deixando gente de pé durante mais de duas horas. Os alunos revezaram-se para sentar.

5. Professores superlotam o departamento de pessoal com atestados falsos.

Professores que agem assim são ignorantes das seguintes verdades:

1. Eles são empregados dos alunos, cujos impostos pagam seus salários.

2. Eles ganham muito acima da média de professores do ensino médio e fundamental e não têm razão para qualquer tipo de queixa. Aliás, salário não deveria ser desculpa para um servidor público agir sem dignidade. Se o salário é ruim, a porta da rua está escancarada e ele pode, com toda a sua “imensa” capacidade, encarar o setor privado e ficar rico.

3. Eles são péssimos exemplos e mostram para os jovens como é feia a cara do Brasil.

Tenho certeza de que os fatos relatados acima não surpreendem ninguém. A diferença deste texto é que sempre se exalta os professores como se suas carreiras fossem um sacrifício e eles vítimas da sociedade capitalista. Pois alguém precisa dizer que foram eles que escolheram esta carreira, são eles que gozam férias muito maiores do que a maioria dos trabalhadores no Brasil e são eles que fazem seu trabalho sem muito compromisso com os resultados. Se acharem que são mal pagos, como já disse, que façam outra coisa, mas que parem de reclamar. Vão à luta, exijam mais salários, mas exijam mais trabalho e mais cobrança dos seus próprios resultados também. Estudei na universidade pública há 30 anos e a situação não mudou. Não é apenas o caso de uma universidade. É o caso de quase toda a educação pública no Brasil. Muitas e justas reclamações, mas falta de dignidade também por parte de muitos servidores.

Estou à espera dos raivosos que, ao lerem este texto, vão julgar que ofendi “a categoria”. Não ofendi nenhuma categoria. Estou me dirigindo às pessoas que, individualmente, carregam o título de professores mas que se comportam de forma indecente em uma sala de aula.

Paulo Ricardo Mubarack

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