Quem me interessa

26/10/2011

A vida é muito curta, o tempo é um recurso extremamente exíguo e não podemos desperdiçá-lo com gente que não nos interessa. Eleger nosso público, aquelas pessoas com as quais queremos conviver ou trabalhar é ponto crítico para sermos felizes. Falando especificamente do mundo dos negócios, não é qualquer cliente que interessa e não é qualquer empresa que serve para se trabalhar. Não se trabalha para qualquer um apenas por que existe o dinheiro. Quem procede desta forma, se apequena e se frustra.

Há alguns anos atrás, uma pessoa que trabalhava na minha equipe me disse: “Mubarack, muitas empresas estão ligando para saber como trabalhamos e o preço da consultoria. Muitos estão achando muito alto nosso preço”. Eu agradeci a informação e disse: “Puxa vida, se algumas empresas estão achando nossos preços muito altos, precisamos tomar uma decisão. E a decisão é: vamos aumentar o preço”. Meu funcionário, logicamente desconcertado, ainda tentou argumentar e disse: “Mubarack, você não entendeu, eles acharam o preço muito alto”. E eu encerrei o assunto, explicando: “Você é que não entendeu. Eu não estou surdo nem louco. Mas não é qualquer cliente que me interessa. Estes que perguntam o preço em primeiro lugar eu quero manter à distância. Eu não quero trabalhar para eles, meu amigo. Eu amo o que faço, e não gosto de entregar pérolas para porcos. Logicamente, quero crescer, quero faturar e quero clientes, como qualquer empresário do mundo, mas não pagando este preço, o de ter que trabalhar para qualquer idiota. A vida é muito preciosa e curta para convivermos com gente menor ou com quem não se alinha conosco. Eu me preparei como um doido para dar aos meus clientes o melhor do mundo em gestão e deixar suas empresas muito redondas. Ralo muito, durmo pouco e faço sacrifícios pessoais porque sou fascinado pelo meu produto. Se alguém gosta dele ou não, bom, aí é direito de cada um. Mas começar discutindo preço, realmente não me interessa”.

Quem me interessa são todas estas empresas para as quais prestei e presto consultoria até hoje e onde sou conselheiro. Nestas, existe gente admirável, empresários, presidentes, diretores, gestores em todas as camadas e trabalhadores do nível operacional que se alinham comigo. Ralam muito, têm curiosidade, querem crescer. O esforço me comove e me encanta. O cara que eu admiro? Pode ser o Steve Jobs, o Senna, o Bernardinho, o Jack Welch ou o porteiro do meu prédio, o cara que eu admiro e que me interessa prestar serviços é o cara que trabalha duro, que não tem hora, que não é fresco, que sabe o valor do dinheiro e que se compromete com a causa. O resto? Para ser bem light na resposta, o resto não me interessa.

Certa vez, conversando com um diretor que foi meu chefe no Gerdau, eu muito jovem, ele um sujeito bastante experiente, ouvi a seguinte frase: “Reduz a pegada, Mubarack, até parece que o dinheiro aqui é teu!”. Eu disse para ele: “Que vergonha um cara da tua idade, que recebe bônus da empresa, dizer isto. Não quero ser assim quando eu crescer”. Ele não me demitiu, mas me olhou enviesado o resto da vida e, quando pôde, me transferiu. Boa notícia, né? O que eu ia aprender com um sujeito destes?

Para várias pessoas que me enviam currículo, que pedem sugestões para trabalho (lugares bons para trabalhar) e que me perguntam como devem se posicionar em uma entrevista, eu recomendo que sejam absolutamente transparentes. Tenho nojo destes caras que vêm na televisão ensinar como proceder em uma entrevista de emprego. Convivo com gerentes de RH e eles conhecem todos os truques idiotas que estes pseudoprofessores tentam ensinar. Evidentemente que há certos requisitos que as pessoas precisam aprender quando se dirigem a uma entrevista de seleção, mas a grande dica é esta: seja transparente. Faça você também perguntas e mostre que você também está selecionando a empresa. Qualquer empresa não serve para você. Qualquer empresa só serve para quem é um qualquer. Eu sei que, às vezes, uma pessoa precisa desesperadamente do emprego, mas lute para não chegar nesta situação. Um desfecho ruim, nestes casos, é inevitável. Meu pai me ensinou dois conceitos em relação a quem não interessa (os idiotas):
1º) Um idiota é invencível. Não perca seu tempo com eles.
2º) Um idiota é perigoso, pois ele, muito próximo de você, pode apanhá-lo em um dia frágil e convencê-lo de uma porcaria qualquer.