Raridade x importância

01/12/2008

Desde os primórdios da humanidade, pessoas são remuneradas pela sua raridade e não pela sua importância. Quem duvida que médicos e professores são muito mais importantes do que um jogador de futebol? Ninguém duvida. Mas alguns astros do futebol ganham em dois dias o que um professor levaria 35 anos para receber. Injustiça?

Desde os primórdios da humanidade, pessoas são remuneradas pela sua raridade e não pela sua importância. Quem duvida que médicos e professores são indispensáveis para uma sociedade civilizada? Ninguém duvida. Quem duvida que médicos e professores são muito mais importantes do que um jogador de futebol? Ninguém duvida. Mas alguns astros do futebol ganham em dois dias o que um professor levaria 35 anos para receber. Injustiça? Evidência de uma sociedade desequilibrada? Pode ser, mas esta é uma questão eterna, cuja discussão não leva a coisa alguma. O certo e o prático é que é assim! Em alguns assuntos, não podemos perder muito tempo discutindo como deveria ser o mundo. Temos que compreendê-lo e tratar de nos adequar da melhor forma possível. Pessoas recebem dinheiro por sua raridade e não pela sua importância. Um astro do futebol ganha em dois dias o que um professor leva 35 anos para ganhar porque o astro é raro e porque professores existem em grande quantidade. O mundo valoriza o raro, não o importante, pelo menos na maioria dos casos. Este é um fato presente em todas as épocas e em todos os países.

Qual proveito este assunto pode trazer para os profissionais de qualquer negócio? Se quiser ganhar mais, torne-se mais raro, esta é a orientação. E como pode alguém tornar-se mais raro? Se todos falam um idioma, fale dois. Se todos são especialistas em um só assunto, seja especialista em dois assuntos. Se a maioria dos profissionais de RH não entende coisa alguma de finanças, seja um gerente de RH que entende muito bem a área financeira. Se a maior parte dos gerentes de produção não entende de RH, seja um gerente de produção que conhece muito bem as técnicas de recursos humanos. Se diretores são generalistas, seja um diretor que, além de generalista, conheça muito bem a operação de duas ou três áreas da empresa. Se presidentes quase nunca vão ao chão de fábrica, seja um presidente que transite por lá com a mesma naturalidade e freqüência com que anda pelos salões das federações patronais. Se a maioria dos sindicalistas é radical nas suas teses e ignora a importância do capital, seja um sindicalista que entenda a relação estreita e cooperativa que deve existir entre patrões e empregados.

Muitos dizem que raridade é apenas uma questão de talento nato. Não é. Raridade é uma questão de opção. Muitas cidades européias têm um fluxo muito grande de turistas porque seu povo as tornou raras. Elas não têm belezas naturais, mas tornaram-se diferentes porque sua população criou esta diferenciação com monumentos, museus e história.

Quanto mais alguém estuda, mais sabe e mais raro se torna. Quanto mais alguém trabalha, mais desenvolve suas habilidades e mais raro se torna. Quando implemento o sistema integrado de gestão nas empresas dos meus clientes, levo muitas técnicas que a maioria dos gestores desconhece. Alguns recusam-se a aprender. Após um ano, estão em desvantagem em relação a outros gestores que aprenderam. Perdem promoções e espaço para seus colegas. Reclamam dos seus chefes e afirmam que a empresa não os valoriza. Alguns perdem o emprego. Não conseguem compreender o princípio da raridade. Ficaram parados enquanto outros corriam. Ficaram com as velhas habilidades enquanto outros adquiriam novas. Envelheceram precocemente. Desperdiçaram vida e oportunidades. São opções, nada mais do que opções.