Senso de urgência

10/06/2011

Muitas empresas quebraram bem na frente do olhar complacente de seus proprietários e principais executivos. A falta do senso de urgência é a causa principal e é devastadora para qualquer organização. Selecionar para os principais cargos apenas executivos com elevado senso de urgência é missão dos principais acionistas e de RH.

Carlos Ghosn, famoso pelo seu senso de urgência, demitiu apressadamente três executivos da Renault por suspeitas de espionagem do projeto do carro elétrico da Renault-Nissan. Recebeu denúncias e errou. Precisou retratar-se na mídia e vai pagar indenizações milionárias para os três acusados, comprovadamente inocentes. Renunciou, como penitência, ao seu bônus anual e amargou sua primeira derrota em mais de 30 anos como executivo. Invejosos e ciumentos de plantão no mundo inteiro pareceram divertir-se com o primeiro fracasso daquele que é considerado por muitos como o melhor executivo do mundo. Acusam Ghosn pelo exagero do seu célebre SENSO DE URGÊNCIA.

Ele errou? Errou, mas eu pergunto: e daí? Ele tem um crédito imenso pela sua obra, até agora repleta de sucessos, especialmente na recuperação de empresa moribundas, como foi o caso da própria Nissan em 2001.

O SENSO DE URGÊNCIA é, seguramente, uma das três ou quatro virtudes principais de qualquer executivo. Certa vez, o filho de um empresário falido me disse: “Mubarack, sabe como meu pai quebrou a empresa? Usando todos os dias frases como “deixa para amanhã, na semana que vem a gente vê”.

Procrastinou, empurrou com a barriga assuntos urgentes ou desagradáveis e arrebentou com a empresa!”.

O senso de urgência é raro e é consequência da coragem para enfrentar rapidamente situações difíceis e da disposição em agir. Covardes e relaxados não o possuem e o efeito da sua falta é devastador em qualquer organização.

Já presenciei situações complicadas em muitas empresas e seus principais gestores pareciam não ter capacidade de reação rápida. Se observarmos as pessoas ao nosso redor, em ambientes variados, veremos como o senso de urgência é raro. Por isto, Carlos Ghosn é um dos melhores executivos do mundo. Ayrton Senna, Bernardinho, Churchill, Jack Welch, Donald Keough, Larry Bossidy, Madre Teresa de Calcutá e tantas outras personalidades foram diferenciados pela alta capacidade de execução proveniente do senso de urgência. Atenção: ter senso de urgência não significa fazer as coisas de forma irresponsável e sem planejamento. Significa apenas enfrentar rapidamente os problemas e, com toda a ciência disponível, resolvê-los antes que se tornem incontroláveis. Significa ter tolerância zero com deslizes, mesmo os pequenos, e agir com presteza.

Senso de urgência é estar sempre ligado e nunca relaxado. É ser previdente e antecipar-se aos problemas. É ter tanta ansiedade para ver um projeto concluído ou um problema crônico resolvido quanto um faminto tem por um prato de comida. Pode ser ensinado? Claro que não, ou as pessoas têm ou não têm. Pode ser desenvolvido naqueles que têm, mas nunca ensinado. Selecionar para cargos chave profissionais com elevado senso de urgência é fator crítico para o sucesso das empresas. Pessoal de RH e psicólogos precisam saber disto e usar toda a tecnologia disponível para identificar este tipo de característica, tão raro e necessário para a sobrevivência, desenvolvimento e perpetuação das organizações.