Sexo e gestão

26/04/2010

Muitos gestores aprendem gestão da mesma forma que a maioria das pessoas aprende sexo. Criam preconceitos e medos nunca revelados, não estudam a natureza do próprio trabalho de gerentes, tornam-se profissionais inseguros e com fortes características de amadores e muitos sofrem também durante toda a vida as seqüelas do desconhecimento.

Muitas pessoas têm sua iniciação sexual da pior forma possível: “aprendem” os primeiros passos na rua com amigos tão ignorantes quanto elas e recebem informações soltas e carregadas de mitos e fantasmas, sem qualquer tipo de ciência associado. Raramente consultam especialistas, possuem dados distorcidos, parecem obrigadas a aprender tudo sozinhas e sentem medo. Muitas delas, infelizmente, passam a vida inteira sofrendo as conseqüências deste início desastroso.

Muitos gestores aprendem gestão da mesma forma que a maioria das pessoas aprende sexo. Não recebem informações sistematizadas sobre o assunto, aprendem com ignorantes e não desenvolvem o pensamento sistêmico. Criam preconceitos e medos nunca revelados, não estudam a natureza do próprio trabalho de gerentes, tornam-se profissionais inseguros e com fortes características de amadores e muitos sofrem também durante toda a vida as seqüelas do desconhecimento.

Mais grave é o caso onde estes gestores são diretores, presidentes ou acionistas. Pela falta de preparo em gestão e pela carga de autoridade que possuem, podem fazer grandes estragos nas suas empresas. Fiz recentemente duas pesquisas: a primeira em 50 escolas privadas de ensino fundamental e médio e a segunda em 78 empresas, entre indústrias e serviços, com faturamento anual acima de 70 milhões. As amostras de escolas e de empresas foram estratificadas nas regiões sul e sudeste do Brasil. Cada pesquisa continha apenas uma pergunta. Nas escolas, a pergunta foi: existe algum tipo de educação sexual? Nas empresas, a pergunta foi: existe algum tipo de educação em gestão? O percentual de respostas NÃO foi muito semelhante: nas escolas, a resposta NÃO EXISTE alcançou 80% (40 escolas) e nas empresas a resposta NÃO EXISTE alcançou 78,2% (61 empresas). Pessoas ignorantes em sexo e gestores ignorantes em gestão são o triste resultado. A solução? Implantar amplos programas de educação, nas escolas e nas empresas. O que mais resta dizer? A gestão não é uma ciência, mas pode ser entendida como uma profissão ou como uma atribuição. Qualquer um de nós que receba esta atribuição precisa, portanto, ser educado e treinado para ela. Só há uma razão que provoca a falência ou o encolhimento de uma organização: a má gestão. Qualquer sinistro que ataque uma empresa (câmbio desfavorável, ações trabalhistas repetitivas e milionárias, movimentos de concorrentes, clientes que vão embora, fornecedores que pratiquem dumping, cartel ou truste, clima, governo etc.) deveria ser prevenido pela boa gestão, que deve funcionar como o SISTEMA IMUNOLÓGICO da organização. Empresas com boa gestão são mais imunes aos ataques externos (que sempre, obviamente, vão existir) do que empresas com má gestão. Estas se comportam de maneira tão frágil às agressões externas e internas como um corpo com AIDS. Sexo, praticado de forma ignorante ou irresponsável, mata. Gestão, também.

Paulo Ricardo Mubarack

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