Sinais

30/09/2011

Decisões enviam sinais sobre o caráter de quem as toma. Portanto, pense muito bem e de forma sistêmica antes de decidir. Escolher um caminho não é um ato isolado e pode conduzir a muitas outras situações futuras, boas ou más. A lei da tolerância zero se baseia neste princípio: puna com rigor exemplar mesmo os pequenos delitos, pois você enviará sinais para todos que esta terra tem dono e que qualquer crime, mesmo jogar um pedaço de papel no chão, é inadmissível.

Quando você toma uma decisão, você envia sinais. Aprendi este conceito com um querido cliente e amigo, Cléber Louza, CEO da DEEP, uma rede de lojas de fast food de Goiânia. Decidir não é apenas um ato isolado, onde você escolhe um caminho, mas é uma atitude observada por todos que o cercam. A sua decisão demonstra quem você é, o que pensa e como deseja que as coisas andem em sua área ou em sua empresa. Mostra, de certa forma, uma amostra do seu caráter. Esclarece se você é firme ou se é frouxo, se você é do bem ou do mal, se você gosta disto ou daquilo. Suas decisões, portanto, falam muito mais forte e são muito mais amplas do que você imagina.

Exemplo: em uma empresa, uma funcionária procurou o gerente administrativo e reclamou que alguém detonara com seu carro no estacionamento da companhia. Ao manobrar, outro funcionário provavelmente batera no carro dela. Nas câmeras do local, foi identificado o rosto do “agressor”. Era realmente um colega que, saindo muito rápido, investiu contra o para-choque do carro da vítima. O rapaz agiu de má-fé, pois sabia de quem era o carro, sabia que ele estava errado e, mesmo assim, saiu bem quietinho do “local do crime” e não procurou sua colega para ressarcir espontaneamente o prejuízo. Convenhamos, uma atitude com o carimbo “verde-amarelo”, tipicamente brasileira. O que fez o gerente administrativo? Chamou o transgressor que logo confessou e se prontificou a pagar o conserto. Perguntado por que não se identificara, desconversou. A direção da empresa, sabendo do fato, demitiu o rapaz. Certo ou errado? Polêmico? Para acirrar a discussão, tratava-se de um bom técnico, sem antecedentes na companhia. Ao invés de opinar, certo ou errado, correto ou radical, pensemos no tema deste texto: quando você toma uma decisão você envia sinais. A lógica da direção foi: um funcionário mentiu, apenas isto. Retirando-se todos os penduricalhos do fato, sobra apenas o ato da mentira. E a direção quis enviar um sinal para todos os funcionários da organização: ela não permite mentiras, pois, em um ambiente de mentirosos, não floresce uma grande empresa. Ou seja, a discussão não é se a direção está certa ou se está errada. Não há discussão. Há apenas o fato: alguém mentiu e não permitimos mentiras. Ponto final. A direção não analisou o caso isoladamente, mas pensou nas conseqüências da sua decisão. Se perdoasse a mentira, qual seria o sinal? Este mesmo, a direção perdoa mentiras. Simples assim!

Pense, portanto, muito bem antes de tomar uma decisão. Ela será observada por muita gente e o sinal enviado funcionará como “penas jogadas ao vento”, você nunca mais recolhe todas elas.
A decisão é sua!