Teoria X, teoria Y e a verdade nua e crua

25/06/2010

Alinhar o discurso com o que realmente se pensa e se pratica é fundamental para a boa gestão das pessoas em qualquer organização. Nenhum gestor é pago para ser ingênuo e para esperar demais das pessoas. Forte controle aliado a rigoroso processo de seleção e desenvolvimento dos funcionários é fundamental para o êxito.

A Teoria X e a Teoria Y são dois conceitos desenvolvidos por Douglas McGregor e representam conjuntos de suposições antagônicas feitas sobre os trabalhadores e servem de base para muitas outras teorias de como liderar pessoas dentro de uma organização.

Antes de listarmos sucintamente os principais atributos de cada teoria, analisemos dois casos reais:

CASO 1:

Inicia-se a implantação de sistema de gestão (o que inclui padrões de processos e auditoria rigorosa) em uma empresa do varejo. Imediatamente o gestor de uma área identifica fraudes praticadas por sua equipe. Em auditoria posterior, descobre-se que a fraude já acontecia há pelo menos dois anos. Duas alternativas explicam a atitude do gestor: participava da fraude (pouco provável) ou estava na zona de conforto, fazendo “vistas grossas” e evitando aborrecimentos (quando viu o sistema chegando, apressou-se em fazer o que já deveria ter feito há muito tempo).

CASO 2:

Dois diretores de uma empresa declaram-se impressionados positivamente com as seguintes afirmações que ouviram em uma palestra:

a) Gerenciamento por metas é um fracasso estrondoso!

b) O lucro é apenas um resultado colateral do negócio. Uma empresa que confunde lucro com a missão do negócio perderá a alma inevitavelmente.

c) Prever resultados futuros para os acionistas e analistas significa fazer-lhes forçosamente "promessas vazias.

d) Em empresas, que são sistemas complexos, algo como "desempenho individual" não existe!

e) Segundo W. Deming, 95% de todos os problemas nas organizações têm sua causa no sistema e só 5% nas pessoas.

Estes casos foram citados por serem representativos. Jamais usarei exceções como exemplos. Note-se no primeiro caso o velho estilo brasileiro do acobertamento, do “estão roubando pouco”, do “ganham muito pouco e alguns deslizes podem ser tolerados” etc. O estilo da covardia e da tolerância com os bandidos. No segundo caso, percebe-se o estilo “Alice no país das maravilhas”! Ingenuidade e fuga da realidade. Evita-se a todo o custo o confronto com a verdade nua e crua que somente os números e as metas trazem. Também ao estilo brasileiro identifica-se a rejeição ao mercado e a rejeição à responsabilidade sobre resultados.

O que nos dizem, então, as duas teorias?

A TEORIA X

A teoria X representa forte controle sobre os recursos humanos dentro da organização, como demonstram os itens a seguir:

1. O ser humano, em geral, não gosta intrinsecamente de trabalhar e trabalha o mínimo possível.

2. Por essa razão, a maior parte das pessoas precisa ser coagida, vigiada, Orientada e ameaçada com castigos a fim de fazer o devido esforço para alcançar os objetivos da organização.

3. O ser humano médio prefere ser dirigido, desejando evitar responsabilidades; é pouco ambicioso, procurando segurança acima de tudo.

4. Empregados evitarão responsabilidades e procurarão receber ordens formais, sempre que possível.

5. A maioria dos trabalhadores põe a segurança acima de todos os fatores associados ao trabalho, exibindo pouca ambição.

A TEORIA Y

A teoria Y deixa evidente que, através do ambiente organizacional adequado, o desenvolvimento dos recursos humanos é muito mais otimizado e pode ser melhor aproveitado. As características da teoria são:

1. O esforço físico e mental no trabalho é tão natural como o lazer ou o descanso.

2. Controle externo e ameaça de castigo não são os únicos meios de suscitar esforços no sentido dos objetivos organizacionais. Movido pela auto-orientação e pelo autocontrole, o indivíduo se colocará a serviço dos objetivos da organização.

3. Em condições apropriadas, o ser humano, em média, aprende não só a aceitar, mas a procurar responsabilidades.

4. A capacidade de exercitar, em grau relativamente elevado, a imaginação, o talento e o espírito criativo na solução de problemas organizacionais, está distribuída, e não é escassa entre as pessoas.

5. Nas condições da vida industrial moderna, as potencialidades intelectuais do ser humano são, em média, utilizadas apenas parcialmente.

Apaixonou-se pela teoria Y? Eu também acho-a muito bacana. Infelizmente, porém, existe a REALIDADE NUA E CRUA que nos ensina alguns pontos:

1º ) As duas teorias são estereótipos e jamais podem ser adotadas integralmente.

2º ) Nossa racionalidade nos impele a acreditar e a desejar fortemente a Teoria Y, mas a prática nos obriga a reconhecer a predominância da Teoria X no comportamento geral dos trabalhadores.

Muitas vezes, somos politicamente corretos e hipócritas. Nosso discurso é medroso e passa longe do que realmente pensamos e é manifestado nas conversas de bastidores. Por que este assunto é importante para ser discutido no ambiente dos negócios? Porque deve direcionar a política de RH e desenvolver lideranças que entendam esta política. Prepare seu sistema adotando a Teoria X e selecione e desenvolva pessoas que estejam com o ponteiro apontado para o lado Y. Parece ser a solução mais real. O resto é poesia, covardia e ingenuidade.

Paulo Ricardo Mubarack

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