A coragem

02/02/2012

“A coragem é a maior das qualidades porque garante as demais”. Palavras cheias de sabedoria de Churchill. Muitos problemas e perdas são recorrentes nas empresas em função da falta de coragem para apontá-los e para suportar o peso das ações corretivas. Todo sucesso tem um preço e o pagamento passa pela coragem.

“A coragem é a primeira das qualidades humanas, porque é a qualidade que garante as demais". Palavras de Churchill. Alguém pode ser caridoso, pode ser honesto e pode ter as melhores intenções, mas se não tiver coragem para colocar a caridade, a honestidade e as boas intenções em prática, de nada valerá tê-las. Coragem não é irresponsabilidade e tão pouco é a assunção de riscos desnecessários. A coragem é a qualidade dos que estão verdadeiramente comprometidos com alguma causa e não têm medo da exposição e do desgaste.
Nas empresas, assim como na política e na guerra, a coragem desaparece em boa parte dos executivos e gestores. O resultado é devastador: riscos não são apontados, erros são encobertos ou omitidos e avaliações de desempenho não dão o correto feedback para as pessoas. O resultado é devastador porque o sistema vai apodrecendo, o caixa vai sendo consumido, os clientes vão desaparecendo e nada parece ser feito.
Muitos presidentes e diretores pioram a situação quando, de forma autoritária e grosseira, ficam enlouquecidos quando alguém aponta um erro, um risco ou simplesmente traz à tona um problema. Quando um sistema de gestão é preparado, apenas método não adianta, se as atitudes não forem observadas, avaliadas e trabalhadas. A maioria das empresas não consegue sucesso na implantação das ferramentas do SIG (sistema integrado de gestão) porque alguns gestores não têm coragem para suportar a implantação. Qualquer ferramenta nova e toda mudança, por melhores que sejam, trazem desconfortos e desacomodação. Aprender é desconfortável e tudo isto exige esforço extra das pessoas que, obviamente em sua maioria, não estão dispostas a maiores “sacrifícios”. Se não houver líderes com coragem para vencer todas as reações, não haverá implementações do que quer que seja com sucesso.

Às vezes, é preciso ter coragem para demitir o filho ou tirar o irmão da empresa, se eles só atrapalham. É necessário coragem para enfrentar um cliente, o sindicato ou o fornecedor e pagar o preço da falta de popularidade. Coragem, não raro, implica em perder “amigos” ou ser estigmatizado de alguma forma. Dizer não quando todos dizem sim, ir a campo onde o “bicho tá pegando” e correr muitos riscos. A vitória e o sucesso, realmente, são para poucos, apenas reservados para uma elite que conhece o poder da coragem.

Paulo Ricardo Mubarack