A face da ignorância é muito feia

11/03/2013

Assim como retrógrados políticos venezuelanos, muitos executivos ainda utilizam velhos e desgastados jargões para comandar (e infelicitar) muitas empresas. Parecem gente de setenta anos atrás, tal é o atraso de suas afirmações e parcas convicções. Blinde sua empresa contra esta turba ignara que pode arrebentar seu caixa e seus lucros.

Hugo Chávez morreu e ouvindo as declarações dos políticos ligados ao governo da Venezuela, incluindo o vice-presidente e principais ministros, sinto-me transportado no tempo, algo como se estivesse nos anos quarenta ou cinquenta. Frases como “la patria o la muerte” e “ideal bolivariano de presidente Chávez” são anacrônicas e custou-me acreditar que eram pronunciadas em 2013, mesmo em um país subdesenvolvido da América do Sul. É lamentável o atraso e fiz a analogia com profissionais e com empresas, onde encontro situações semelhantes. Já presenciei executivos com discurso e práticas de gestão similares aos políticos da Venezuela, com mais ou menos setenta anos de atraso. O resultado obtido por esta gente para as companhias onde atuam é o mesmo da Venezuela: péssimo, nada além disto. A cara da ignorância é muito feia e precisamos estar atentos para não entrar no “clube dos reacionários”, onde prevalecem velhas e bolorentas tradições, o orgulho de um passado duvidoso e lemas e conceitos retrógrados.

Quer alguns exemplos pronunciados por gente parecida com os políticos venezuelanos?
Vamos lá:
“Não quero criar burocracia escrevendo planos de ação”.
“Nosso negócio é ganhar dinheiro” (quando perguntado sobre qual era o foco da empresa).
“Agora vamos trabalhar” (encerrando um treinamento e obviamente frustrando toda a turma ao classificar treinamento como uma atividade pouco vinculada ao trabalho). “Tenho boas noções sobre a ISO” (ter noção e nada é a mesma coisa).
“Não quero mostrar os números de receita e custos para os gerentes” (o sigilo que deixa a todos perdidos).
“Faz tempo que não leio um livro”. (sem comentários).
“Orçamento não precisa ser examinado pelo Conselho com detalhes” (ano em que nascia Elvis Presley...).
“Precisamos usar criatividade, padrões escritos engessam a empresa” (criatividade é a desculpa usada com frequência por idiotas sem cérebro).
“Precisamos humanizar a empresa” (apelar para o humanismo é a velha desculpa dos covardes).

Sempre lembro aquela imagem familiar, onde o vovô fica isolado na sala enquanto todos conversam e apenas aturam a presença do velho. Por quê? Porque ele, o velho, só tem as velhas e chatas histórias para contar, o que ninguém mais tolera. Vovôs e executivos com as velhas frases e com as mesmas histórias de sempre, no melhor estilo bufão dos venezuelanos, ninguém merece!

Paulo Ricardo Mubarack