A miopia de ti

31/12/2007


Um dos problemas crônicos que encontro nas empresas é a área de TI – Tecnologia da Informação. Já mudaram algumas vezes de nome – lembram do antigo CPD? Já foram chamadas também de Informática, Tecnologia e outros nomes menos votados.

Um dos problemas crônicos que encontro nas empresas é a área de TI – Tecnologia da Informação. Já mudaram algumas vezes de nome – lembram do antigo CPD? Já foram chamadas também de Informática, Tecnologia e outros nomes menos votados. Mas o problema permanece o mesmo. Atrasos constantes nos cronogramas, “estouros” do orçamento, não cumprimento das especificações dos usuários, mau atendimento etc.

Quando audito ou me reúno com a turma de TI sempre pergunto: “Vocês mapearam seus processos”? “Vocês escreveram procedimentos para os processos de desenvolvimento, de suporte, de operação”? “Vocês têm padrões para selecionar e avaliar fornecedores da sua área”? A resposta, quase que invariavelmente, é “NÃO, ainda não tivemos tempo!”.

Também pergunto: “Dentro do processo de desenvolvimento, como é seu procedimento para PRIORIZAÇÃO? Quem decide quais sistemas terão prioridade para o desenvolvimento”? A resposta, quase sempre, é CONFUSA, ou seja, não existe resposta, estas definições não foram tomadas.

A maioria do pessoal de TI não dá importância para mapas de processo e procedimentos. Embora trabalhem com sistemas, parecem não possuir visão sistêmica. Ainda acham que o usuário é burro e que não sabe o que quer. Não admira que sejam tão criticados e que tenham perdido enorme espaço no processo decisório das organizações nos últimos 10 anos. Perderam o glamour. As organizações evoluíram razoavelmente em gestão na última década, mas encontro gestores de TI que, apesar do nome moderno de suas áreas, parecem estar na década de 50.

Gestores de TI têm enorme dificuldade para fazer um plano de ação e calcular recursos. O resultado são cronogramas e custos sempre errados. Muitos executivos já perderam a paciência com esta turma e terceirizaram o que podiam e o que não podiam!

Um diretor de TI de um grande grupo brasileiro disse ao comunicar-me seu desligamento da empresa: “Mubarack, se eu tivesse acreditado em você há 3 anos, não estaria nessa situação agora, desculpe-me!”.

Desculpas para quase nada servem! Pessoas de TI são muito inteligentes, mas normalmente são displicentes e céticas em relação à gestão. Precisam mapear seus processos, escrever humildemente seus procedimentos, criar seus indicadores, estar mais próximas do negócio da empresa e entender que quem deve decidir a prioridade dos projetos é a direção da empresa e não eles. Muitos diretores também não sabem disto, mas os gestores de TI deveriam ensinar-lhes este procedimento básico.

Estas mudanças na gestão das áreas de TI são urgentes, pois o atual analfabetismo de muitos gestores de TI em gestão desperdiça recursos bastante grandes das empresas. Para algumas empresas, visto a postura atrasada dos gestores de TI, tenho recomendado que o gestor de TI seja um leigo que entenda de gestão e não um técnico de informática. É lamentável, mas quando converso com alguns profissionais desta área, parece que o tempo retrocede e que ainda estamos na década de 50.