Arrogância

26/01/2009

Prezados clientes e leitores, muitas vezes sentimentos mesquinhos arrebentam empresas. Um deles é a arrogância. Na verdade, os arrogantes são covardes que têm medo da angústia de quem enxerga os perigos e sofre com a possibilidade da derrota.

Muitas empresas vão mal ou não evoluem simplesmente porque não respeitam mais ninguém. Não respeitam clientes, empregados, fornecedores, governos, concorrentes e comunidade. Não ouvem mais nada. Desprezam as orientações de consultores, fecham os ouvidos para as reclamações dos clientes, menosprezam treinamento. Seus dirigentes e gestores agem como se não precisassem mais aprender e como se fossem imunes ao erro. Com o nariz em pé, sentem-se como reis. Agindo de forma arrogante, tornam-se odiados e um grupo cada vez maior de pessoas torcem pelo seu fracasso. E, mais cedo ou mais tarde, vem a derrota. Perda de participação no mercado, redução dos lucros, da rentabilidade e diminuição de tamanho são consequências frequentemente irreversíveis. Incontáveis organizações decaem na segunda ou na terceira gerações porque têm à frente dos negócios herdeiros com inteligência frágil e conduta arrogante. Já conheci executivos mal preparados e arrogantes que me fizeram lembrar de um boxeador franzino e sem preparo físico que entra no ringue de forma insolente. É nocauteado no primeiro round de forma ridícula.

A arrogância mata! Pessoas mais velhas não aprendem com facilidade porque não ouvem mais ninguém. Alguns acham que elas não aprendem porque a capacidade intelectual diminuiu com a idade. Engano! A idade, para alguns, traz arrogância. Assim comportam-se muitas empresas. Vão envelhecendo, vão ganhando muito dinheiro e o sucesso do passado impede o sucesso do futuro. Na década de 70, uma rede americana de lojas de departamentos estava completando 100 anos, com faturamento de bilhões de dólares. Os erros acumulavam-se, alguns executivos tentavam apontá-los, mas o neto do fundador e presidente na época mandou todos colocarem um bottom na lapela onde estava escrito “...não se pode discutir com 100 anos de sucesso”. Todos, obviamente, calaram-se e 5 anos depois a empresa praticamente quebrou e foi vendida para o seu maior concorrente.

O arrogante não tem medo, despreza o concorrente e desenvolve sentimento de imunidade. Acredita que nada pode afetá-lo. Transforma-se em um idiota, que afirma “...não ter medo de coisa alguma”. Um pouco de medo e de neurose não faz mal a ninguém. Quem cuida e tem consciência da fragilidade de uma empresa, tem medo. Na verdade, os arrogantes são covardes que têm medo da angústia de quem enxerga os perigos e sofre com a possibilidade da derrota.