Bunda-mole

08/07/2011

Quem já não foi bunda-mole em alguma situação de sua vida? De certa forma, todos já nos comportamos assim em algum momento. O problema é quando alguém tem o comportamento de bunda-mole o tempo inteiro, atrasando decisões, fugindo de confrontos e detonando com o caixa de sua empresa. A tragédia é certa!

O Houaiss define bunda-mole como o atributo de uma pessoa fraca, covarde, desanimada, pouco ativa. Pensando bem, quem já não foi um bunda-mole em alguma situação da vida? E, sendo um bunda-mole, quais foram invariavelmente os resultados? Ora, um bunda-mole obtém resultados péssimos, nada mais do que isto. Ter sido bunda-mole uma vez ou outra pode não ser uma catástrofe, mas permanentemente comportar-se desta forma é uma tragédia. Pesquisei recentemente a história da decadência de pelo menos cinquenta empresas americanas, europeias e japonesas, todas de grande porte. Os dados vieram de várias fontes e de vários autores. De forma geral, é surpreendente em todos os casos como gestores de médio e de alto nível, incluindo Conselhos de Administração, toleraram maus resultados, maus hábitos e aceitaram desculpas variadas para não fazer o que deveria ser feito, algumas delas esfarrapadas.

Algumas empresas pesquisadas, em virtude do seu gigantismo, aguentaram duas a três décadas até a decadência explícita. Basta analisarmos a General Motors para entendermos como alguém queima uma marca e parece trabalhar contra si próprio durante muito tempo. Práticas e conceitos herdados dos bons tempos e muita gordura para queimar garantiram a sobrevivência quase em agonia destas empresas por longos períodos.

O problema é que vivo e trabalho no Brasil e muitas empresas nacionais não possuem porte para suportar a ação dos bunda-moles. Ou seja, bunda-mole detona qualquer empresa, mas as grandes conseguem viver mais até a morte declarada, ao passo que empresas menores (um bilhão de faturamento anual ou menos) não conseguem sustentar-se tanto tempo. Falando em termos bem práticos, o que caracteriza um gestor bunda-mole:

1. Falta de senso de urgência.
Bunda-moles adoram adiar decisões, cancelar reuniões e “deixar para depois” assuntos vitais, como definição de metas, planejamento, reuniões gerenciais e auditorias.

2. Covardia.
Evitam confrontos, não falam claramente o que pensam, procrastinam avaliações de desempenho, não têm coragem para dar feedbacks negativos e diretos, no máximo mandam recados através de outros. Quando precisam demitir, mandam terceiros dispensarem alguém e somem da empresa.
Evitam clientes com problemas, pois têm medo de ouvir reclamações.

3. Preguiça:
Bunda-moles são preguiçosos, vagarosos, estão fora do ritmo do mundo moderno.

4. Insegurança:
Não leem, não viajam, não conversam com o mercado e, portanto, não se preparam para reuniões e para a tomada de decisão. Isto os torna inseguros ao extremo.

5. Politicamente “correto”:
Acreditam que tudo pode ser resolvido com um jeitinho e desprezam a técnica e o estudo. Exploram em demasia as influências e acabam com o “rabo preso” com todo o mundo. Se qualquer um dos atributos acima isoladamente já é um desastre, imagine-se quando alguém tem dois ou mais simultaneamente! Deveria ser interditado como gestor!