Capacidade de prevenir

11/04/2013

Basta, muitas vezes, errarmos uma vez para sofrermos consequências calamitosas durante toda a vida. Isto significa que implantar a cultura da prevenção na forma do processo de gerenciamento de riscos é fundamental nas empresas e tarefa indelegável do presidente e dos acionistas. A maioria das organizações não têm estes cuidados e esta cultura e paga muito caro por acidentes, perdas materiais e processos trabalhistas que poderiam ser facilmente evitados.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, disse no final de março, na base militar Fort McNair, em Washington, que os últimos movimentos da Coreia do Norte representam "um perigo claro e presente aos nossos aliados e aos EUA".

Segundo Hagel, como pode ser visto agora no caso da ameaça da Coreia do Norte, é importante poder contar com nações que não sejam necessariamente parceiras. "Tentamos trabalhar com os coreanos do norte, mas algumas das suas ações recentes representam um perigo claro e presente aos nossos aliados e aos EUA e levamos isso a sério. É preciso estar errado só uma vez para sofrer consequências calamitosas, e não quero ser a pessoa que vai estar errada quanto à gravidade dessa ameaça", disse Hagel.

A frase do secretário de Defesa dos USA é perfeita; é preciso estar errado só uma vez para sofrer consequências calamitosas por um longo tempo, muitas vezes de forma irreversível. Portanto, a ordem é PREVENIR. Pecar pelo excesso de zelo, por uma certa paranoia, mas nunca pelo descaso. Assisto reiteradamente descasos dentro das organizações. Se alguns executivos que conheço fossem secretários de defesa, seus países estariam irremediavelmente perdidos. Eles têm uma dificuldade muito grande para definir metodicamente os riscos e gerenciá-los, não gostam de falar sobre “coisas ruins” e não praticam a PREVENÇÃO.

Nunca se pode esquecer para quem se trabalha. Todos nós trabalhamos para os acionistas e o que eles querem é PROTEÇÃO DO SEU PATRIMÔNIO. Um gestor, não importando sua hierarquia na empresa, precisa definir riscos e estabelecer planos preventivos. O processo de gerenciamento de riscos praticamente inexiste na maioria das corporações e sua ausência gera acidentes, atrasos, refugos e processos na esfera judicial todos os dias. Implantar a cultura da prevenção é tarefa indelegável do presidente ou dos acionistas. Vivemos e crescemos em um ambiente extremamente tolerante e ignorante em relação aos riscos e o caixa de nossas empresas é continuamente esfacelado por este hábito nocivo de não prevenir.

Não esqueça: muitas vezes, basta errar uma vez para quebrar uma empresa.

Paulo Ricardo Mubarack