Com saltinho vermelho

08/01/2008


Nas empresas de grande porte, muitos diretores tornam-se “deuses do Olimpo”: têm ainda algumas características humanas, mas estão em um local alto e distante, de difícil acesso, cheios de empáfia e arrogância.

Nas empresas de grande porte, muitos diretores tornam-se “deuses do Olimpo”: têm ainda algumas características humanas, mas estão em um local alto e distante, de difícil acesso, cheios de empáfia e arrogância. Parecem não ter mais nada para aprender e sobrevivem muito mais em função da política com o escalão acima do que da técnica e dos resultados.

Não freqüentam mais cursos e treinamentos. Lêem muito pouco sobre gestão e torcem o nariz para a literatura do business.

A foto do boxeador com sapatos vermelhos de salto alto é elucidativa. Forte mas frágil. Vai ser derrubado rapidamente.

Carly Fiorina, CEO da HP de 1999 a 2005, classificou a empresa como a “gigante das mil tribos”. Diretorias, ou seja, centros de poder, totalmente isoladas e com pactos de não agressão.

Muitos diretores se isolam em suas áreas de poder e formulam tacitamente um pacto de não agressão. A franqueza diminui, os problemas crescem e a organização enfraquece.

Não é à toa que gigantes e mais gigantes caíram. Qual é a explicação para gigantes como as montadoras de Detroit, IBM, HP e outras caírem? O salto alto, a empáfia e a arrogância são algumas das principais causas.

Alguns diretores estabelecem o pacto da não agressão. Como normalmente estas organizações geram lucro e têm muitas gorduras, este tipo de atitude demora a mostrar seus efeitos maléficos. Talvez alguns anos se passem até a queda da empresa. Até lá “tá bom prá todos, então deixa assim”.

Os diretores ficam “de plástico”. As perdas da organização não doem mais neles. Aliás, poucas pessoas, em qualquer nível da empresa, sentem dor quando a empresa perde algo. A maioria somente se preocupa com sua imagem e não com as dores da empresa. Vejo muitas empresas onde os donos sofrem terrivelmente quando o lucro diminui, quando uma venda é perdida, quando um cliente vai embora, mas os diretores e gerentes não sofrem. Eles apenas tratam de se proteger da dor e da fúria dos donos. Se conseguirem a proteção, está tudo bem para eles.

Contrate somente quem sofre com suas dores.

Claro que não estou afirmando que todos os diretores são assim. Obviamente, seria um erro grosseiro a generalização. Mas que este tipo de problema existe em um grau muito maior do que se possa imaginar, isto é verdade. Eu afirmaria que um pouco mais do que a metade dos executivos comete o erro do “saltinho vermelho”. É um número muito grande. Pobres empresas!

A síndrome do “saltinho vermelho” também vale para os conselhos de administração”. E como vale!

Cultuar a SIMPLICIDADE, esta é a solução. Desenvolver a cultura do SIMPLES. O SIMPLES é elegante, o SIMPLES é lucrativo, o SIMPLES faz bem. Mas o SIMPLES somente pode ser feito por pessoas SIMPLES. Qualquer projeto que comece a ficar complicado deve ser abortado. Talvez esteja na hora de começar tudo novamente, do zero. Qualquer solução que não seja simples deve ser rejeitada. Qualquer executivo que não seja simples deve ser demitido. A simplicidade traz velocidade e lucro. Evita acidentes e mal-entendidos. Ajuda a comunicação e o caixa da empresa.

O SIMPLES assusta muita gente. Há muitas estruturas que vivem do COMPLEXO. Perguntem para um despachante aduaneiro se ele aprova a simplificação da regulamentação pública para importação e exportação!

Se você é um executivo que ficou chateado com este texto, não me leve a mal. Muitos executivos COMPLEXOS não me ouviram e atualmente entopem minha inbox com emails solicitando ajuda para um novo emprego.