Consultorias caras

18/06/2012

Afinal de contas, o que é uma consultoria cara? São os honorários com mais de dez dígitos da McKinsey ou o preço de “20 reais por hora” do SEBRAE? Nem um nem outro, é lógico. Caro é o que você paga e não recebe. Consultorias em pontos específicos, isoladas e implantadas em empresas despreparadas, não terão a menor eficácia ao longo do tempo. Empresas despreparadas são aquelas que não têm o SIG, o Sistema Integrado de Gestão, que nada tem a ver com certificações em ISO 9001 + 14001 + 18001 ou com sistemas de TI.

Já ouvi muitas piadas sobre minha profissão, consultor, e já escutei e li muitas referências raivosas aos “consultores caros que em nada ajudaram minha empresa”. Estou lendo um livro sobre inovação onde o autor, como tantos outros, discorre sobre “consultorias caras”, algo do tipo “você, usando minha técnica, não vai precisar contratar consultorias caras etc.”. Conheci um professor universitário que afirmou de maneira “extremamente polida e delicada”, bem na minha frente: “Não gosto de consultores”.

O assunto é meio cômico, meio trágico. Cômico porque a raiva extremada e a falta de educação de alguns são, muitas vezes, engraçadas. Trágico por dois motivos: o primeiro é que, na maioria das vezes, os clientes de consultoria estão certos, as consultorias pouco ou nada acrescentam e, nestes casos, qualquer valor é caro; o segundo motivo é que os clientes não entendem que eles também são responsáveis pela contratação errada de algumas consultorias: eles não estão preparados e não sabem como usufruir da consultoria. Por quê? Porque consultor não faz o milagre que muitos esperam, porque uma empresa não pode delegar para o consultor suas próprias convicções, porque consultor não sabe tudo e porque consultorias isoladas, sem o SIG, não adiantam nada. Opa! SIG? O que é isto? SIG é o sistema integrado de gestão. Ele desperta a lógica em todos os empregados de uma empresa, ele ensina como todos os processos se interligam, ele mapeia todas as tarefas e organiza os principais fluxos horizontais (da compra até o pagamento do fornecedor, da venda até o recebimento do pagamento etc.), ele verifica onde há ruptura nos processos, ele harmoniza o sistema de TI, ele define indicadores de desempenho e itens de controle, ele relaciona intimamente todas as atividades de RH com a operação e a estratégia da empresa, ele ensina os vieses na tomada de decisão, ele coloca o PDCA para girar e padroniza as reuniões para a correta avaliação do sistema e para o gerenciamento dos riscos.

Quando uma empresa não tem este sistema IMPLANTADO INTEGRALMENTE, qualquer consultoria específica em logística, vendas, operação ou qualquer outra, será inócua ou terá, na melhor das hipóteses, resultados medianos. Além disto, a probabilidade da organização perder o pouco que adquiriu com a consultoria “solta e isolada” é muito grande. A última etapa de qualquer trabalho de consultoria deveria ser a padronização, mas padronizar como, se a empresa não tem qualquer sistema de gestão de procedimentos e mapeamento de processos?

Resumindo, é novamente “a receita da mediocridade” funcionando a todo vapor: você junta uma consultoria ruim com uma empresa despreparada e o resultado é óbvio: nenhum ou quase nenhum proveito na relação custo x benefício. As consultorias saem do imbróglio como “caras e pouco eficazes”, a empresa fica “com raiva de consultores” e eu fico ouvindo piadas! Por isto, quando me perguntam quais são os produtos que eu vendo na minha consultoria, eu respondo que só vendo um: o SIG. E estamos conversados. Mal-aventurados os que não conhecem a força do SIG. Vão sofrer bastante, sozinhos ou com “as consultorias caras”.