Cultura e valores - quem se importa

22/02/2012

A cultura e os valores de uma organização cumprem papel fundamental para o desenvolvimento, principalmente quando empresas são compradas e incorporadas. Fusão de culturas? Bobagem! A cultura do comprador deve prevalecer sobre a cultura do comprado. Afinal de contas, ela é a cultura vencedora. Alguém precisa mandar! A cultura não guarda qualquer relação com autoritarismo, mas evita aquela diversidade nociva que dispersa, atrapalha e torna uma organização lenta e sem foco. Comprou uma empresa e deseja rapidamente fazê-la funcionar do seu jeito? Implante sua cultura lá través de profissionais com história longa na empresa matriz.

Quando se fala sobre os valores e a cultura de uma empresa, todos afirmam ser este tema muito importante, mas poucos relacionam estes fatores com resultados e lucro. Quando o assunto é dinheiro, valores e cultura ficam distantes da mesa das decisões. Muitos empresários e gestores não se importam realmente com a cultura das suas empresas e não é por má vontade, não! Eles de fato não entendem como esta “coisinha bonitinha” (cultura, valores) pode aumentar o lucro líquido do exercício. A cultura e os valores parecem estar destinados ao ostracismo.

Algumas companhias como Gerdau e AB InBev usam e abusam da cultura para ganhar dinheiro. Trabalhei treze anos no Gerdau e vi o Grupo comprar inúmeras empresas. Em menos de 100 dias, elas pareciam pertencer ao Gerdau há décadas! O Grupo implantava sua cultura, em primeiro lugar. Antes de procedimentos e sistemas, a cultura! Na prática, implantar a cultura significa enviar para a nova empresa profissionais com longa história e conhecimento dos valores e do negócio. Eles comandarão a empresa recém adquirida. Nela, permanecerão aqueles que entenderem e se adaptarem à nova cultura. Quem não concorda ou não entende, está fora e rapidamente fora! Senso de urgência sempre foi marcante no Gerdau. A hora é agora, nunca daqui há pouco. Quando você define um perfil para trabalhar, a metade do caminho está vencida. Estas pessoas que possuem o perfil desejado serão mais fáceis de treinar e cumprirão os procedimentos com mais disciplina do que os demais. Sempre que um cliente compra uma empresa e me pergunta como incorporá-la com sabedoria e eficácia, eu respondo sem hesitar: “implante a cultura em primeiro lugar e o restante da viagem acontecerá em mar tranquilo”.

Evidentemente, você não espera e nem pode esperar muito tempo. E você implementa sistemas de TI, treinamento e procedimentos quase que simultaneamente, mas a cultura vem em primeiro lugar. Por isto, você elimina os principais dirigentes que não concordam e não se adaptam a ela. Eles, muitas vezes bons profissionais, por mais que desejem, não ajudarão. Não é uma questão de bom ou ruim, mas é uma questão de alinhamento de vetores.

Sem cultura, nada funciona direito. Como dizia Deming, “verdade conhecida apenas por uma seleta minoria!”.

Um ponto decisivo: não adianta copiar a cultura dos outros. Você deve entendê-las, admirá-las ou reprová-las, analisá-las, mas jamais copiá-las. A cultura e os valores são os comportamentos que você, e somente você, valoriza e pode determinar. Portanto, pense, pense, pense e defina claramente sua cultura. A partir dela, defina o perfil de quem vai ajudá-lo a ganhar dinheiro. Contrate estes e elimine os outros. Não valorize a diversidade! Embora seja politicamente correto admirar a diversidade, na prática, quando o assunto é cultura, ela só atrapalha. Como afirmam os donos da Brahma, alguém precisa mandar e dar a última palavra. Autoritarismo? Nem um pouco, apenas cultura. Opiniões muito diferentes e diversidade são bons conselheiros para a discussão de assuntos operacionais, nunca para definir comportamentos, perfis ou estratégias. Nestes pontos, homogeneidade é fundamental.