DRE e fluxo de caixa

29/05/2014

Empresários e gestores conhecem muito pouco conceitos financeiros e utilizam o DRE e o fluxo de caixa de forma medíocre em seu trabalho. Toda a decisão em uma empresa, toda estratégia, todo plano de ação e todo processo somente deveriam ser validados após profunda análise sobre em qual linha do DRE influenciam ou qual é o impacto no caixa. Raras empresas que conheço possuem um bom fluxo de caixa e um DRE suficientemente analisados. [continua..]

Toda a lógica de uma empresa deve ser analisada sempre com foco no DRE (demonstrativo de resultados) e no fluxo de caixa. O terceiro instrumento é o balanço patrimonial, embora não seja o ponto destacado neste texto. Sempre pensei, quando trabalhava no Gerdau, que seria dispensável explicar o porquê desta lógica, que o conceito era óbvio demais para empresários e gestores. Afinal de contas, o que é mais importante do que você analisar o desempenho financeiro da sua empresa, a geração de caixa e o patrimônio?

Eu estava muito enganado. Quando saí do Gerdau e comecei a conhecer outros mundos, dezenas de empresários e centenas de executivos, descobri que dois terços desta turma não conhece conceitos básicos como a diferença entre lançamentos por competência e por caixa, EBITDA, relação entre dívida e EBITDA, ROI, ROIC, depreciação, amortização e caixa livre.

Até hoje encontro empresas com receita líquida acima de 200 milhões de reais por ano que NÃO TÊM FLUXO DE CAIXA.

Quando sou apresentado para algum empresário, uma das primeiras perguntas que faço é: “Como é seu contador?”. Mais da metade das empresas que já conheci não tem confiabilidade suficiente em seus lançamentos contábeis e o contador é um “bolha” sem atitude e de conhecimento insuficiente.

Quando a contabilidade é terceirizada, a situação torna-se ainda pior.

Não estou cometendo nenhum exagero, não estou emitindo opiniões, estou apenas relatando fatos. É provável que 80% dos que leem este texto não conheçam pelo menos um dos conceitos escritos no segundo parágrafo ou trabalhem em organizações que não tenham um DRE bem organizado ou um fluxo de caixa.

Um detalhe: 99% das empresas com as quais tive contato nestes 17 anos de consultoria são empresas com receita anual superior a 200 milhões de reais.

O primeiro passo, portanto, é ter DRE e fluxo de caixa absolutamente confiáveis. O segundo passo é garantir que todos os gestores, incluindo acionistas e conselheiros, entendam e saibam analisar os dois demonstrativos e o terceiro passo é desenvolver toda a gestão da companhia ao redor deles. Isto significa que, na prática, qualquer investimento, despesa ou custo só tem sentido se influir positivamente no DRE e no fluxo de caixa. Significa que investimentos, despesas e custos precisam ser contratados somente depois do financeiro simular o impacto no caixa e significa que todo o planejamento dos processos, da rotina e das estratégias deve ser elaborado a partir de cada linha do DRE e com olho no caixa.

Estes demonstrativos deveriam ser usados em todas as reuniões. Sempre que um cara vier com uma ideia, você deve mostrar o DRE e o fluxo de caixa para ele e perguntar: “Matematicamente, prove o impacto positivo na receita, no CPV (CMV), na despesa administrativa e no caixa ou suma com sua ideia da minha frente”.

Não é a única lógica?