Empresas tipo prostitutas

30/04/2013

Empresas “tipo prostitutas” são aquelas que passam de mão em mão com relativa frequência. Seus proprietários, acionistas ou seja lá quem for, não estabelecem o sistema integrado de gestão, onde a MERITOCRACIA é o primeiro elemento. Como não promovem, jogam dinheiro fora em treinamento, irritam quem está na empresa quando buscam gerentes, diretores e presidentes no mercado e nunca têm um quadro de gestores que admire e respeite a empresa. Os que lá permanecem, ficam ou por dinheiro ou por que são incompetentes que não têm outro lugar para ir. Preciso de uma bola de cristal com incenso comprado no Paraguai para adivinhar os resultados das prostitutas?

Escrevi um artigo sobre o mau uso dos indicadores de desempenho, a arrogância da diretoria ao não admitir o grave problema de insubordinação dos gestores por não querer usar indicadores e sobre a covardia de todos ao tolerar tal situação. Dois dias após a publicação deste texto no meu site, fui interpelado por um dos acionistas, irritado com meu texto, alegando que havia escrito este artigo direcionado para sua empresa.

Meu argumento foi simples: não escrevi e nunca escrevo um artigo direcionado para qualquer empresa em especial e disse para ele: “vocês cometem todos os erros possíveis, desta forma qualquer artigo que eu escrever vai parecer ser estar direcionado para vocês”.

Existe um grupo de empresas, normalmente com receita bruta anual entre 200 milhões e um bilhão de reais e que nunca implantaram um sistema integrado de gestão. Têm áreas fraquíssimas de RH, comando fraco na direção, um conselho de administração decorativo e meritocracia inexistente. Como não possuem método gerencial, cometem igualmente os mesmos erros:
1º) Não implementam, como já mencionei, um sistema integrado. A empresa é um conjunto estropiado de ferramentas boas, caras e que não produzem resultados em função da desordem com que são implantadas.
2º) Contratam consultorias de primeira linha e conseguem resultados pobres pela desordem nos pensamentos internos sobre gestão.
3º) Treinam pouco seus profissionais, desenvolvem ninguém e buscam no mercado gerentes, diretores e até o presidente. São empresas “tipo prostitutas”, pois passam de mão em mão, onde presidentes e diretores aventureiros, contratados a peso de ouro, vêm fazer suas experiências medíocres.
4º) Sempre há um acionista com “o pulo do gato” na manga. Ora é um novo método espetacular que vai salvar a empresa, ora é um software bacanérrimo que vai ajudar, ora é um executivo de luxo que será o salvador da pátria.
5º) Não cuidam do caixa. Investem mal, endividam-se e discutem besteiras, enquanto “o pau come” no chão da fábrica e no péssimo atendimento aos clientes.
6º) São adoradas pelos concorrentes. Preciso dizer por quê?
7º) São adoradas pelos fornecedores. Gastam fortunas com os “milagres” e consultores, escritórios de advocacia e outros prestadores de serviço amam tais empresas. Tanto quanto se ama uma prostituta.
8º) Na diretoria e no quadro de acionistas, ninguém lê nada sobre gestão, ninguém viaja para conhecer outras empresas, ninguém estuda, ninguém procura as melhores práticas.
9º) São aristocratas, especialmente os acionistas e os herdeiros. Carrões ornamentam os estacionamentos, as relações trabalhistas ficam atiçadas com a ostentação das “classes superiores”, que fica lanchando em salas iluminadas enquanto a empresa vai se arruinando.
10º) Não suportam más notícias. Elogiam-se muito e nutrem raiva por quem diz a verdade nua e crua e tenta ajudá-los.

Se você ficou irritado ao ler este texto, faça um favor para mim: nunca mais leia meus textos. Você é um burro e não merece ler o que eu escrevo. Eu quero que você e sua empresa vão “se focar”.

Paulo Ricardo Mubarack