Era uma vez um pedreiro

05/12/2013

Todos em uma empresa devem lidar diretamente com dinheiro, ou receita (vendas) ou custos (todos os demais, envolvendo custos, despesas e investimentos). O problema é a palavra “diretamente”. Poucos gestores entendem sua abrangência e mantém muitos profissionais que têm pouca participação nos resultados com o trabalho.

As áreas de Recursos Humanos e outras áreas de apoio passam por crises existenciais com frequência. Quando o caixa fica curto, acionistas questionam os custos destas áreas e elas não sabem como justificá-los matematicamente. Participei na semana passada de uma reunião onde um vice-presidente perguntou para o setor de RH como os gastos com treinamento influíam no EBITDA. Quando a pergunta chegou em mim, expliquei que o treinamento precisa ser focado no AUMENTO DE PRODUTIVIDADE para que eliminemos pessoas e para que as que ficarem produzam mais com menos recursos e com poucos erros. Simples assim. A maioria das áreas de RH não tem esta clareza: como medir a eficácia do treinamento, eis o falso dilema. Por exemplo, em uma loja, quanto vende cada balconista? Quantos clientes ele atende por hora, por dia? Por que não vende mais? Por que não atende, sem perder a qualidade, mais clientes? Na área administrativa, por que temos nove pessoas na área financeira e não seis? Treinar mais a todos, avaliar cada funcionário, demitir os três piores e fazer o mesmo trabalho, com mais qualidade, em menos tempo, com seis pessoas. Se você achar que não é possível, você é um dinossauro. Ultrapassado é pouco para você.

Precisamos selecionar bem, treinar bem e reconhecer melhor ainda. Apostar nos jovens e eliminar os cínicos, aqueles que não acreditam em ganhos de produtividade e apenas querem mais gente.

Outro ponto: RH precisa parar de falar sobre conceitos vagos como clima organizacional, governança, competências e outras baboseiras e precisa trabalhar para que ninguém, absolutamente ninguém na empresa, faça tarefas periféricas ao negócio, o que sempre inclui RECEITA e CUSTOS. Ou seja, ou alguém está vendendo ou alguém está trabalhando para reduzir custos com aumento de produtividade. Exemplos práticos de tarefas que pouco agregam:
Escritório de Projetos

Programas motivacionais, Change Management.
Implantação de softwares de controle de documentos.
E existem dezenas de outras tarefas como estas. Não quero afirmar que elas não precisem ser feitas, mas devem sê-lo da maneira MAIS SIMPLES possível, sem a criação de estruturas e mais estruturas (o que significa aumentar o quadro e os custos em geral). Se você contratar um pedreiro em tempo integral para a sua casa, ele vai arranjar o que fazer para sobreviver no emprego, ou seja, vai chamar consultorias para implantar um software de controle de pedreiro, vai criar um projeto de pedreiro, vai implantar um software para controlar os documentos do pedreiro e talvez peça para você um auxiliar, por que o trabalho está ficando insuportável. A comparação pode ser grosseira, mas é verdadeira.